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AS LUZINHAS VERDES DO MEU COMPUTADOR Diário da Maturidade (61) de Sergio Clos Uma réplica de Lia Helena Giannechini

janela Avi Belaish

Faz algum tempo que minhas luzinhas verdes acenam para amigos. Alguns, muito queridos, daqueles onde o coração mora junto.

Mas, quando adolescente, em cada esquina que dobrava, existia uma esperança de encontrar aquele mocinho lindo, que ficava observando-me pela janela. E eu sabia que era para mim. Minha irmã ainda era nova para pensar nesses detalhes. Ela brincava com bonecas e eu sonhava na janela. E quando saía para buscar pão na padaria (isso eu podia fazer todos os dias, meus pais não me impediam), rezava para encontrar o moço que me observava.

Um dia o padeiro me surpreendeu. Ao sair com o pão, ele saiu do caixa e foi me acompanhar de volta a minha casa e me convidou para encontrar com ele na praia no sábado à tarde. E eu lhe disse, não posso. Esse é um horário que meu pai está em casa e eu não posso sair. Mas, a verdade era porque o mocinho da janela me fazia bater o coração mais forte.

E em cada saída, o coração se apertava. O sangue me ruborizava, só de pensar que ele podia estar lá na frente de casa, na rua, observando-me. Um dia, ao descer, saí do elevador e ele estava do outro lado da calçada vigiando minha sacada. E eu quase morri de susto. Mas, o que fazer para falar com ele? Não sabia seu nome. Não conhecia nada dele. Como falar? Fiquei em suspenso, pedindo para que ele me notasse ali na porta do prédio. E ele, firme e seguro, olhava a janela do meu apartamento.

Fiz alguns barulhos quando cheguei à porta, abrindo-a. Mas ele seguia obcecado, com olhar fixo para o alto, completamente desatento ao que se passava ao seu redor. Tentei mais uma vez tossindo. Deixei cair minha carteira no chão. E nada dele olhar para a porta do prédio. O elevador subiu. E desceu. E algumas pessoas saíram. Ficaram me observando: o que eu fazia parada na porta mirando um garoto que olhava para uma janela, fixamente. Cochichavam, e eu sem ter escapatória tive que ir, olhando de vez em quando, para trás, para ver se ele me notava… E lá no final da rua, quando ia dobrar a esquina, o garoto ia embora, em direção oposta a minha sem me ver…

E hoje, quando acende uma luzinha eu vou logo dizendo:  – Ola!! Boa noite… Como vai? Não quero mais perder a oportunidade de conhecer pessoas que eu tenho certeza que vou gostar, como acho que gostaria do garoto da janela. Depois de um tempo aceitei o pedido do padeiro. Mas na praia  de mãos dadas, ele querendo me beijar a qualquer custo, percebi, que eu ainda não estava pronta pra essa coisa de namorar, como o padeiro queria. Era época dos flertes da janela ainda.

Diário da Maturidade (61)

AS LUZINHAS VERDES DO MEU COMPUTADOR de Sergio Clos

Foi há muito tempo. Era eu um adolescente. Nas andanças pelo bairro, não raramente, olhava a janela de certa casa na esperança de ver a guria que tinha me balançado. Às vezes pegávamos o mesmo ônibus e havia, mesmo que timidamente, uma troca de olhares.

Para mim era importante, para ela, não sei. Havia uma admiração, um amor platônico, coisa de guri. A guria era tri bonita. Quando minha mãe pedia para eu ir ao armazém, fazia o caminho mais longo só para olhar se a janela estava aberta e torcendo para que ela estivesse em casa.

O tempo passou e eu já nem lembro mais que fim levou essa história. Ela não ficou comigo e também não sei se ela havia me notado.

Décadas passaram e cá estou eu em frente à tela do meu computador na rede social. No canto direito da tela têm umas luzinhas verdes indicando quem está online. As andanças que fazia no bairro foram trocadas pelas caminhadas virtuais. As luzinhas verdes são as janelas abertas de antigamente.

E, não tem jeito, tem uma luzinha em especial que eu torço para estar acesa. E, quando está, abro o inbox e fico vacilando se mando ou não uma mensagem. É como antigamente, chegava até o portão da casa da guria e titubeava também. Não sabia se a chamava ou não. Às vezes o cachorro me dava um corridão. Hoje, no inbox não tem cachorro, mas tem a indiferença, o que é bem pior. Prefiro mil vezes o cachorro! O máximo que consigo é ser visualizado e depois um silêncio que dói. Porcaria de tecnologia!
Vou andar pelo bairro. Talvez a janela esteja aberta.
E, o mais dramático de tudo isso é ser envelhescente e adolescente ao mesmo tempo!
Sérgio Clos

POEMA DO TEMPO

No passar do tempo
No tempo sem vento
Na calçada
Sem pedra
Nos meandros
A baderna
Na Lua sem diamantes
Do amante
No conluio
Vou pra casa
Na vidraça
Já olho sem graça
O banco está vazio
Que frio
Passa das cinco
O sabiá com afinco
Me zonzeia
Divagar não me chateia
O tempo é que me odeia

Sérgio Clos

Enviado por Sérgio Clos em 21/07/2015

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pintura janela de abi halaish

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Surpresas de uma mãe de primeira viagem

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Quando minha filha nasceu eu era mãe de primeira viagem que nunca tinha visto ninguém ter filhos perto de mim. Então eu não conhecia nada de perto.

Tinha feito uma preparação para o parto e todas as consultoras me diziam para ter parto normal que era muito melhor.

Eram 5.30hs da manhã quando eu comecei com uma dor nas costas esquisita. Embora ainda não estivesse nos dias de ter, já estava com o bebê encaixado, segundo o médico e poderia ser a qualquer momento. Faltavam duas semanas para completar as 38 semanas normais. Então não liguei muito para a dor e comecei a fazer o café da manhã, como sempre. Meu marido saiu às 6.30hs como de costume e eu fui fazer as tarefas normais.

Começaram as dores e a barriga endurecendo. Agora eu já sabia que era hora. Liguei pra faculdade do telefone da vizinha e pedi para o meu marido voltar (não existia celular na época). Minha mala já estava pronta. Mas o parto seria em Campinas, hospital que tínhamos convênio médico. E eu estava em Piracicaba. Quando meu marido chegou saímos voando para o Centro Médico de Campinas, em Barão Geraldo.

Durante a viagem minhas dores começaram a diminuir o espaço de tempo e eu falava para o meu esposo para ele apertar o passo porque o neném ia nascer na estrada.

Ele corria mais do que nunca. E o guarda inventou de parar pelo excesso de velocidade. Foi um susto danado. Quando ele viu que o bebê estava nascendo nos deu proteção e foi na frente abrindo caminho.

Nessa hora eu sosseguei. Sabia que se precisasse teria ajuda do policial.

São momentos onde é tão importante ter gente que saiba o que fazer. É só assim que uma grávida se sente segura para ter o bebê. Eu havia feito a preparação do parto e aprendi a fazer a respiração de cachorrinho. Isso me deixou sem aquela dor terrível que as mulheres sentem.

Chegamos eram 7.35 em Campinas no Hospital. Eu estava com 8 dedos de dilatação e o médico me esperava. Fui colocada direto para a mesa de cirurgia.

A bebê nasceu às 8.00 horas da manhã.

O médico fez a episiotomia, o corte que ajuda a sair o bebê. Tudo foi tão rápido que não me lembro da força que tive que fazer para sair o bebê. O parto foi sem anestesia. Mas recordo da imagem mais linda que eu tenho gravado na memória. Quando colocaram a bebê no meu colo, após o parto ela levantou a cabeça, como que querendo olhar o mundo todo, olhou de um lado, virou o pescoço, olhou para o outro lado e só depois descansou a cabeça no meu colo. Todos aplaudiram e riam do feito dessa menina que já nasceu com a gana de conhecer o mundo.

Nessa hora o médico já estava me costurando com pontos que depois inflamaram e eu tive que tomar antibióticos e passar remédios para desinflamar.

Foi nesse momento que o médico perguntou se já sabíamos o nome da bebê. E ele disse que ela tinha carinha de Izabela. Assim foi batizada a bebê mais linda do mundo.

Nessa hora o que me valeu, além de todo o treinamento foi a mão amiga do meu marido e do meu médico de confiança. Eles entenderam toda a urgência da situação e me deixaram confortável e confiante de que daria tempo de chegar ao hospital.

Tudo feito com grande correria, mas a tempo de ter essa criança linda que emocionou a todos deixando sua marca desde o nascimento.

Histórias como essa que eu contei hoje, vocês poderão ver muitas aqui neste blog. 

#mãe de primeira viagem 

#liagiannechini

#caricreare 

#maternidade 

 

 

 

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Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.

http://razoesparaacreditar.com/sustentabilidade/aos-67-anos-este-homem-transformou-30-hectares-de-deserto-em-terras-cultivaveis/

terras ferteis

Ontem eu ganhei um herói, o Sr. Yacouba Sawadogo.  Não foi um desses heróis comuns, que nos encantam nas histórias em quadrinhos ou filmes de Hollywood. Algo que me cativou profundamente. Um homem hoje, com 67 anos, passou uma vida inteira plantando árvores num local deserto. E com práticas milenares, conseguiu transformar 30 hectares de terras improdutivas em terras férteis. Com uma simples adição de esterco e compostos orgânicos em valas de 20 cms, junto com as sementes.

Na época, o consideraram louco, mas, 40 anos depois, ele já floresceu mais de 3 milhões de hectares de terras desérticas em 8 países do Sahel.

Esse tipo de prática milenar, que minha sogra praticava em seus vasos e plantas, e elas eram lindas, e agora eu, que moro numa casinha popular, dessas sem forro e sem muitos recursos, com terras de saibro no quintal, tento fazer o mesmo e produzir uma pequena horta, nos meus 50 metros quadrados de terras inférteis. Ali não crescia nem um pé de limão que estava plantado quando eu cheguei à casinha. Todo dia guardo minhas cascas de legumes e compostos orgânicos, lixos da minha cozinha e coloco nesse quintal de terras tão improdutivas. O mato cortado é empilhado em um canto da parede e torna-se viveiro fértil para essas plantinhas de temperos, legumes e frutas, que eu adoro tanto. Alguns anos ainda vão se passar para que com essa prática, tudo volte a ser fértil.

Esse ano, por exemplo, já surgiu uma legião de borboletas amarelas, azuis, vermelhas no quintal. Alguns vagalumes resolveram me visitar nesse verão. E os gatos ficam alucinados atrás desses pontinhos de luz que brilham no breu da noite. Até os marimbondos resolveram lá se instalar. E quem liga pra isso hoje em dia? E pra quê ligar para isso?

O mundo moderno foi perdendo a capacidade de se ligar na terra, de cuidar de seu entorno. As pessoas perderam o encanto por produzir suas próprias plantações de temperos, verduras e legumes mesmo que num quintal pequeno ou na varanda de um apartamento.

Pra que isso? O planeta em seu aquecimento global, nem precisa de nada disso!!! As pessoas compram seus hamburgs e matam sua fome diária e não precisam mais comer nada fresco, cheio de vitaminas. E o ser humano vai se degradando. Mais câncer, mais doenças a cada dia, mais stress, mais depressão e um tanto de transtorno mentais.

É impossível as pessoas pensarem que a vida tem que ser equilibrada. Ela pede esses momentos de recolhimento, de fazer alguma coisa boa para si, para as pessoas que convivem e para o planeta. Como é difícil pensar que temos que cuidar de nosso entorno. E que a qualidade de vida de nossos filhos e netos depende de tudo o que deixamos plantados em nosso quintal, como prática de vida. Não apenas o próprio alimento e sim uma atividade que nos deixe bem, que faça o bem para os que convivemos. Que teça uma prática duradoura que sirva ao planeta.

As empresas em seus métodos de se instalarem em uma cidade, deixam um rastro de destruição em todo o ambiente, utilizando todos os recursos naturais, como se fossem inesgotáveis. Esquecem que em seu entorno vive gente, que precisa respirar, beber água, lavar suas casas, com os recursos que sobram no ambiente. E tem que conviver com um ecossistema degradado, por práticas centenárias de abandono.

Mas quando lembramos que tudo o que fazemos hoje, será o que teremos amanhã em nossa vida, eu fico feliz de estar criando, meu pomar, minha horta, meu ecossistema de bichinhos, plantinhas e pequenos insetos que fazem parte de um sistema maior de nosso planeta vivo. E as duas horas diárias de cuidados em meu quintal vai me trazer a alegria de ver meu quintal florescendo, minha vida se encantando com todas as coisas simples e lindas que eu ajudei a cultivar.

Eu fico feliz!!! Não me sobra muito tempo para as depressões e pensamentos negativos, quando vejo em meu quintal, um abacateiro crescendo, saído de uma semente de abacate plantada. Alguns mamoeiros cujas sementes floresceram só de serem jogadas na terra, as abóboras e morangas se espalhando pelo quintal e lindas batatas doces roxas, que em cada roça de quintal eu tiro umas 50.

Depressão é não se ligar em mais nada da vida, é deixar de lado esse sistema ancestral e não se conectar para fazer o bem. É perder a capacidade de se orientar pelas estrelas, é deixar o sol nascer sem uma saudação da vida, que cresce em torno de si.

Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.