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Capítulo 2 / Estou sozinho no mundo/ Sozinho no Mundo / Lia Helena Giannechini

Capítulo Dois

Estou sozinho no mundo…

– Não é possível o que está acontecendo!!! Por favor alguém me explique?

– Estou falando sozinho!!!

– Será que alguém me ouve?

Parece que eu entrei num Reality Show, jogaram-me de paraquedas num programa de TV onde eu não vejo ninguém!

Vou até o quarto pegar os sapatos azul-marinho, com a sensação de pesar e de urgência que invade meu corpo. Depois pego meu café da manhã, que tomo com avidez porque estou morrendo de fome. Essa confusão toda abriu meu apetite. Devoro o pão com queijo e presunto feitos na torradeira, um pedaço de mamão, tomo o iogurte de ameixa e ainda pego um pedaço do panetone que comprei na véspera, porque já é tempo de Natal para se ter essas coisas na casa, que eu adoro. Época de panetone, uvas, pêssegos e alcachofras. Coisas deliciosas que eu faço questão, nessa estação do ano.

Vamos lá ver o que há com essa cidade que parece que virou um fantasma.

Saio para fora, pela garagem e vou até o vizinho. Bato na porta e ninguém responde. Não ouço nenhum barulho. Vou até a esquina andando a passos largos para ver se tem alguém na outra rua e também não vejo ninguém.

Suas casas imponentes contrastam com a minha pequena mansão amarela como eu a chamo. Ela é linda, com tudo o que é preciso para uma casa confortável. Sua entrada feito casa de boneca, com o pórtico de madeira na garagem, esconde o paraíso de pitangueiras, ameixeiras e a jabuticabeiras ao centro do quintal, com a entrada da casa na lateral passando por um corredor de pérgula acompanhada por um ramo de trepadeiras de flores amarelas, que faz o sombreamento do lugar. O chão de pedras mineiras dão um toque rústico a esse portal do meu aconchego. Isso é muito diferente das mansões que eu tenho como adjacentes. Lá, nas casas vizinhas tudo é de grande porte. Apenas a minha, o terreno é gigante e a construção é mignon.

Começo a ficar um tanto preocupado e volto correndo para casa.

Pego meu carro, uma Hilux, preta, que eu adoro também, pelo conforto que me traz para viajar e sigo até o entroncamento mais movimentado do bairro. É uma cidade fantasma. Não tem ninguém. Os sinaleiros estão funcionando. No posto de gasolina também não vejo nenhuma pessoa. Faço a manobra e estaciono na bomba de combustível. Ponho a alavanca no tanque do carro e aciono-a para colocar a gasolina. Encho o tanque e anoto o preço num bloco de notas que eu tenho no carro, para pagar depois. Que bom que isso estava funcionando. Sensação de que nem tudo está perdido.

Vou até a empresa ver o que há por lá.

Normalmente com o trânsito da manhã, levo 30 minutos para chegar. Vou passando pelas avenidas, repletas de palmeiras imperiais que abraçam o céu e me dão uma sensação de estar num lugar tropical, o que não é o caso dessa cidade imponente, no entanto, procuro ir bem devagar para notar algum tipo de movimento de pessoas ou de carros e nada. Não tem nenhum automóvel em movimento, nem parado na rua. Isso é muito estranho. Abduziram os carros também? Apenas as avenidas, os faróis estão funcionando, mas nenhum sinal de circulação.

Minha angústia começa a doer no peito e cada vez mais reforça a sensação de que estou sozinho, sem que ninguém possa me ajudar. Como se tivesse caído num abismo, que me deixou em alguma réplica da minha cidade, num universo paralelo, mas sem nenhuma pessoa.

O desespero bate em meu peito e eu tenho vontade de gritar.

– Onde estão vocês? Porque me abandonaram assim? Para onde me levaram?

Chego na porta da empresa e é só desolação. Seu Ananias não está lá. E, eu que quase nunca o cumprimento, sinto falta de sua educação ao abrir a portar e me dizer:

– Bom dia, senhor Arthur. Estava sempre tão atrasado que mal respondia o bom dia de praxe.

Corro ao elevador, entro nele apertando o 15º andar. Quando a porta começa a fechar eu a prendo para sair, com medo de subir e acontecer mais alguma tragédia ficando preso no elevador, sem ter ninguém para me salvar.

Alcanço as escadas, subindo por elas. Dou uma espiada no primeiro andar, nosso restaurante e percebo tudo arrumado para o café da manhã, mas, sem ninguém lá para tomá-los. Como se as pessoas fossem suprimidas do lugar por alguma razão. Pego uma xícara de café na máquina que funciona e saio. Vou para o 2º andar.

E nada de encontrar gente. Investigo um pouco e me parece que os funcionários deixaram suas mesas de trabalho ontem, sem voltarem hoje de manhã.

Vou assim até o 15º andar, investigando cada um deles, mas o que vejo é somente mesas, as vezes, bagunçadas, como se tivessem abolido as pessoas num dado momento e elas deixassem suas coisas inacabadas.

Chego sem fôlego e exausto pela corrida dos 15 andares. E entendo que não adianta correr. Isso só vai me desgastar, mas a minha necessidade de consumir essa adrenalina toda me faz querer correr como numa maratona.

Minha mesa está como eu a deixei ontem. Nada de novo, nenhum comunicado. Sento-me diante do computador e abro minha caixa de e-mails. O último foi enviado às cinco da madrugada, mas sei que é algo programado, para que você acorde com esse lembrete da reunião com os diretores hoje. Deve ter sido enviado ontem ao final do expediente.

Nenhuma pista do que está ocorrendo.

Nada para que eu possa entender o que aconteceu com as pessoas.

Vou descendo as escadas e pensando:

– Será que aconteceu alguma coisa com a Helena?

E até aquele momento não tinha percebido que podia estar acontecendo algum tipo de catástrofe e só eu tenha sobrado nesse lugar. Algum vírus, alguma evacuação por algum problema atômico, algum remédio onde as pessoas estejam dormindo ainda, colocados na água. Até parece que essa paisagem toda é montada e eu estou num filme de terror. Como se tivesse num sonho, que eu vou acordar. Belisco-me para saber se sou real e dói muito o beliscão. Parece que sou real, mas a paisagem não. Não poderiam ter feito uma réplica tão perfeita para um Reality Show.

Resolvo que vou até a casa dos meus pais ver o que aconteceu. Até o momento não tinha pensado neles. Faz mais de dois meses que eu não os via. Não me preocupo com meus velhos. Nunca fomos bons amigos, apenas convivemos na mesma casa. Depois que eu me mudei de lá, assumi minha vida e deixei para traz tudo o que eles representavam, para eu ter espaço na construção da minha história, independente da vontade deles. Mas, até quando eu me tornei um gerente de marketing de uma grande empresa como a Nox, que fabrica papeis personalizados, eles controlavam tudo da minha vida. Minha mãe não sossegou enquanto não me obrigou a fazer a faculdade que ela queria, onde seus irmãos tinham estudado. E eu tinha que puxar a eles, não ao meu pai que era catedrático em uma universidade pública.

Ela não gostava desse jeito de professor que sabe de tudo e não ganha dinheiro pra nada na vida, a não ser manter a casa e alguns poucos investimentos. Ela queria que eu tivesse sucesso como meus tios que eram donos de agência de propaganda e ganhavam o que queriam. Eram premiados e tinham lugar de destaque na cidade. Sabiam fazer uma campanha de marketing que deixava a todos de boca aberta e bolsos cheios. Ela precisava que eu fosse assim, não importava minha felicidade.

Lembro-me de quando era pequeno, ela me levava passear e eu me entretinha com pequenas coisas no trajeto como uma escada bonita, uma passarela de cor mais viva, alguma flor aberta exalando seu perfume ou até aqueles doces lindos de padaria que me davam inveja de quem iria compra-los e come-los. Eu não seria um deles infelizmente. Ela não me deixava abocanhar nada que não fosse permitido pelo médico pediatra, um chato de galocha que ela amava. Dona Teresa vinha ralhando comigo o tempo todo no caminho de volta da escola, dizendo para eu me apressar porque ela tinha hora no cabeleireiro, na manicure ou sei lá o quê.

Para ela eram as aparências que contavam. Assim, vestia-me como um príncipe na chegada de sua princesa e brigava sempre que eu me sujasse. Então, brincar era apenas no sitio da vovó, quando chegavam as férias, a melhor época da vida.

Mas meus avós, hoje já se foram. E, agora ela vive com meu pai na casa deles, sozinhos os dois, envelhecendo… Não quero fazer parte desse mundo deles…  Minha vida é outra.

Mas, vamos até lá ver se encontro alguma pista do que aconteceu com as pessoas desse mundo.

Dirijo com atenção pelas ruas e avenidas e espero que esse trajeto me deixe com mais pistas do que os anteriores. Porém, a medida que percorro o caminho, vejo que é uma ilusão pensar que vou encontrar pessoas.

Demoro o mais que posso na direção, mas como as ruas estão vazias não levo mais que 8 minutos para chegar, coisa que em dia normal levaria uma hora.

Estaciono na frente da casa e vem uma emoção em meu peito, como se um desamparo profundo acontecesse agora e eu não tivesse tempo para reclamar ou pedir ajuda. Minhas mãos começam a tremer e eu sinto que não tenho como controlar essa sensação que invade meu corpo e eu começo a chorar. Estou sentindo uma mistura de desespero e abandono. Lágrimas brotam em meu rosto e, eu me sinto vulnerável, tão diferente das sensações que eu tenho normalmente. Coisa que eu nunca tinha feito depois que virei um adulto. O pranto desce pelo meu rosto sem eu saber porque. Essas sensações afetam meu jeito de ser. Sinto-me impulsivo e irracional, tão diferente do que eu sou realmente. Meu jeito mais racional, longe dessas coisas de sentimentos agora estão ruindo, como uma construção que se desaba, quebrando as paredes e deixando para traz um amontoado de poeira que não serve pra nada. Sinto-me inútil nesse momento. A vida nem tem sentido mais, sozinho assim. Vou viver para vegetar? Não posso mesmo.

Corro para escada de frente da casa e pego a chave sobressalente que fica na santinha que protege a morada de meus pais. Assim ninguém fica pra fora de casa por falta de chave. Abro com cuidado para não assustá-los se eles estivessem lá por um acaso divino. Doce ilusão a minha.

Na sala com a mobília antiga de sofás e cadeiras de madeira de pinus, acompanhados de almofadas azuis, alguns traços de que minha mãe esteve bordando, como pedaços de linha e retalhos de tecidos, que ela fazia sempre que via TV.

Na cozinha, deparei-me com alguns pratos prontos na geladeira, como se eles tivessem saído e viriam para o almoço, que já estaria pronto, só para esquentar e comer. Eu não me faço de rogado e preparo meu prato. Ainda era cedo para almoçar, mas a canseira era tanta que resolvi comer e descansar um pouco. Pego as almondegas, o arroz, a batata palha e coloco pra esquentar no micro-ondas e começo a pensar… Vou ligar a TV daqui que pode ser que ela esteja transmitindo alguma coisa. E enquanto esquentava a comida eu aciono a TV e nada de sinal. Ligo o rádio e nenhum sinal também, apenas um chiado. Mas que coisa mais estranha. O que será que aconteceu com as pessoas?

Como com avidez toda a comida, repetindo. Ainda bem que minha mãe era prevenida e tinha deixado mais do que os dois podiam comer.

Subo as escadas e entro no quarto do meu pai. Ligo o computador e vejo que seus últimos passos estão num arquivo onde ele pesquisava mundos paralelos. Meu pai era catedrático em física. Acreditava em física quântica, em outros universos. Ao contrário de minha mãe, pois isso era motivo de uma das grandes brigas dos dois. Ele tinha a crença de que podemos transpassar esse universo material e se deslocar para mundos intermediários. Ela ria muito dele e achava que era louco. Mas, suas pesquisas de transferência para esses universos tinham lhe garantido prêmios internacionais, o que ela se matava de rir, por que não davam nem para comprar um novo computador de última geração e ele usava um de menor potência em casa. Apenas no laboratório é que tinha um de última geração.

Olho suas pesquisas e percebo que tem algo que se parece com a minha situação. O mundo paralelo tem suas nuances que pode trazer esse sintoma de solidão como se as pessoas tivessem sido abortadas.

– Será que estou num Universo paralelo que meu pai me colocou lá?

– Pai, pelo amor de Deus, se você fez isso comigo, por favor me dê um motivo muito importante, porque isso não é uma brincadeira. Não estou gostando nada dessa história. Quer fazer o favor de me explicar tudo isso?

E agora estou bravo. Muito bravo, com vontade de quebrar tudo o que vejo pela frente.

– Você está fazendo experiências comigo?

– Deve me odiar para me lançar numa situação tão angustiante assim. Começo a falar em voz alta, para pode sair toda essa mistura de sentimentos que me atordoam.

-Porra, meu, que maldade é essa que você fez comigo? Caralho, bem que minha mãe dizia que você era louco varrido e que eu tinha que seguir outros modelos. Você não tem o direito de me trancar num universo paralelo assim como está fazendo comigo agora. Eu não sou seu experimento.  Começo a gritar. – SEU VELHO SAFADO. SR. ALEXANDRE, REI DO UNIVERSO, LARGA DO MEU PÉ, VELHO BABACA EU NÃO SOU PROPRIEDADE SUA. 

Grito com todo o meu pulmão até não poder mais respirar Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO!!! LARGA MÃO DE BRINCADEIRA E VÊ SE APARECE!!! VOCÊ NÃO PODE SUMIR E ME DEIXAR ASSIM SOZINHO.

E depois caio num choro convulsivo, de perder o fôlego. Minhas pálpebras se fecham e saem borbotões de lágrimas, minha respiração fica ofegante, o corpo todo treme e eu não consigo parar de chorar por um bom tempo. Meu mundo acabou por conta da experiência desse velho inútil.

Choro por uma hora sem parar sentado na cama deles, coisa que eu fazia apenas quando era menino e adormeço lá.

 

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Book Proposal / Ricardo Tagliaferro

Buenas!

Já ouviu falar de Book Proposal (proposta de livro)? Sabe o que é?

Há algum tempo estive estudando produção editorial e me deparei com essa ferramenta bem bacana que as grandes editoras usam para selecionar novos títulos.

O que é? Uma proposta do seu livro à editora. Uma apresentação do seu “produto”.

Para que serve? As editoras recebem milhares de originais todo o tempo e os editores não têm tempo de ler todas as obras de forma integral, o book proposal serve justamente para “cortar caminho”. O editor lê a apresentação de sua obra, e, se gostar, solicita o original completo para então dar prosseguimento ao processo de produção editorial.

É como se o seu livro estivesse em um processo seletivo para uma vaga em uma multinacional e o book proposal fosse o currículo. Um currículo bem feito sempre chama a atenção e instiga curiosidade no recrutador que acaba chamando seu dono para a tão esperada entrevista. Com um livro não é diferente.

Como fazer? Abaixo deixo uma foto de um modelo ensinado pela autora Samanta Holtz (Arqueiro) para apresentar seu trabalho de forma objetiva e, talvez até aumentando as chances de publicação, visto que não vai ser mais um original jogado entre tantos outros

Há 4 anos, quando iniciei minha carreira de escritor, pouco sabia disso e quando soube, custei a acreditar no real potencial dessa ferramenta (burrice da minha parte, óbvio), mas hoje, preparando o meu terceiro romance para ser mostrado ao mundo, decidi dar o menor número de cabeçadas possível e, é por isso, que estou passando por aqui, para deixar essa dica para você também.

Não é certeza de aceitação por nenhuma editora, mas é uma dica valiosa para quem sonha em “conseguir uma cadeira” no hall dos escritores de editoras como o Grupo Editorial Record, Leya, Agir, Arqueiro, entre outras tantas editoras “tops” do mercado. Uma dica dada, não por mim, mas por alguns outros autores publicados nelas.

Seja cuidadoso (a), afinal, é a primeira impressão que o editor terá de você e de sua obra. Escreva seu book proposal com atenção, revise quantas vezes forem necessárias, não omita informações importantes, evite ser muito presunçoso, afinal, é você quem está submetendo a sua obra, não o contrário.

Se mostre da maneira correta e será visto por quem deve ver.

Ricardo Tagliaferro

Produtor editorial

Autor de 100 cartas de uma saudade e 18 anos de solidão

www.ricardotagliaferro.wix.com/home

 

SINOPSE – 100 Cartas de uma Saudade

O que aconteceria se seu ar lhe fosse tirado? O que aconteceria se a coisa mais importante da sua vida fosse roubada? O que aconteceria se o amor de sua vida nunca tivesse existido? Um homem destinado a escrever palavras de amor e saudades para alguém que talvez nunca vá ler. Ele simplesmente se vê obrigado a reaprender a viver (…) “100 Cartas de uma saudade” relata a história de um jovem rapaz que tenta lidar com o frio da serra gaúcha, a falta de imunidade e a pior de todas as saudades: A do amor de sua vida. Um livro que mostra que nem todas as cartas de amor são clichês e que nem todos que se vão, tem a oportunidade de voltar a tempo.

 

100 cartas de uma saudade

LINKS DE COMPRA:

Físico: ESGOTADO
Digital: https://www.amazon.com.br/dp/B00N1W3KTM

Conheça no Skoob: https://www.skoob.com.br/100-cartas-de-uma-saudade-524467ed532041.html

SINOPSE – 18 ANOS DE SOLIDÃO

Uma morte, um mistério, uma saudade. 18 anos de solidão dá continuidade a “100 cartas de uma saudade” e conta a vida de Manoella depois que Lincoln se foi, explica os atos que a induziram a cometer o maior erro de sua vida e nos mostra uma mistura de medo, solidão e egoísmo que transformou a vida de duas pessoas.

18 anos de solidão

LINKS DE COMPRA
Físico: https://goo.gl/YH7K8C
Digital: https://www.amazon.com.br/dp/B06XB726KB
Conheça no Skoob: https://www.skoob.com.br/18-anos-de-solidao-585541ed587302.html

 

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Sozinho No Mundo / Capítulo 1 Relembrar a noite passada / Lia Helena Giannechini

Relembrar a noite passada…

Acordo com as memórias dos prazeres da noite passada em minha cabeça.

Há muito tempo eu e Helena não tínhamos momentos tão bons. Contrastava com as últimas vezes que nos vimos, onde tudo parecia um tédio. E, eu sabia que não era por culpa dela. Percebia que meu enfado pela vida não dependia de sua presença. Ao contrário, ela era meu porto seguro, meu oásis, como parecia aquele buraco na parede que refletia a única gota de luz solar, que se atrevia a roubar minha escuridão matinal, que eu amava tanto. Já estava amanhecendo e os raios do sol invadiam o quarto, dizendo que já era hora de me levantar. Ele parecia muito mais vigoroso que eu, nesse momento. Só queria ficar recordando aqueles beijos molhados, quentes e excitantes que ela me lançou assim que nos vimos. Isso era tão bom!

Ela prendeu seus braços em volta de meu pescoço e com suas carícias em beijos sublimes, introduziu sua língua morna, em minha boca, explorando minha surpresa e arrancando de mim sensações de prazer que reverberaram em todo meu corpo, fazendo meu desejo de estar com ela nua ir às alturas. Mas, tínhamos um longo caminho pela frente. Esse era nosso primeiro contato, daquela noite que já parecia gloriosa.

A gota invasora estava cada vez mais forte, fazendo-me lembrar que já era hora de ir tomar meu banho matinal. E, eu naquela preguiça toda, lutava com a intensidade dela, para que aquele momento que eu recordara, não acabasse jamais. Mas, não podia faltar ao trabalho. Agora não era hora de me perder nas gostosuras dessa mulher, por quem eu estava completamente apaixonado, embora ela fazia parte do pacote que eu estava inserido.

Lembrando da sensação inebriante que a dança com ela me produziu, fui ao chuveiro. Tinha, ainda fresca, a ideia de sua mão em meus ombros, seu corpo aconchegado ao meu, enquanto dançávamos a salsa, tão elegante. Suas cadeiras balançando associadas ao ritmo de meu quadril que dançava em passos determinados, fazendo com que suas ancas se misturassem a minha cadência e meu frescor e, além disso, ainda posso reviver esses bons momentos de entrega que ela me proporciona, sempre que dançamos juntos. Esses ritmos latinos deixam-nos mais próximos. Ela nunca esteve na Colômbia, mas lá, eles dançam nas ruas. E todas as mulheres balançam as cadeiras assim. Aqui, no Brasil, nem sempre elas acompanham esse compasso tão marcado e tão sedutor.

As gotas de água começam a cair em meu corpo, dizendo que é hora de me conectar com o agora. Já chega de lembranças boas. É tempo da dura realidade de ter que matar o coelho de todo dia, para que as refeições sejam lautas. No entanto, se eu não precisasse trabalhar agora, ficaria relembrando o resto da noite que tinha sido mais que ardente, fenomenal. A vida reserva boas lembranças quando deixamos os momentos gostosos tomarem conta de nossas sensações e esquecemos de todo o resto, mesmo que seja por algumas horas. Nosso oásis de alegria, que nos alimenta e nos protege para que a luta diária tenha sentido.

A minha… bom, essa não tem tido muito sentido, não. Cada conquista profissional já não me agrada mais como antes. E sei que tudo isso é culpa de minha mãe, que precisava de um filho notável, para pôr em seu currículo mais esse feito.

Ao ensaboar minha cabeça, as sensações de peso e desânimos recomeçam. Oh! Vida triste essa que eu me deixei levar. Chegar no escritório a cada manhã, tendo que criar uma campanha de marketing digital para as empresas, deixam-me entediado. Esse Facebook, só anda nos atrapalhando com suas mudanças. E o Google resolveu nos embaralhar mais uma vez nessas métricas, que nada mais são do que o alcance que conseguimos com nossas postagens, para divulgar a marca ou produtos, duas coisas tão distintas, que a empresa nunca dá o seu devido valor. Apenas querem que venda, mas esquecem que a empresa tem que permanecer no tempo e, na trajetória, ganhar espaço no coração dos clientes, fidelizando suas compras em nossa companhia…

Nossa empresa? Eu devo estar maluco mesmo. Se fosse minha, seria muito diferente de tudo o que eles fazem lá. Nesse mundo globalizado e digital, os donos perderam a mão de seus negócios quando não atualizaram seus procedimentos de administração em todos os setores da empresa.

Água morna caindo no corpo, deixa a esperança de ser um dia bom…

Desligo o chuveiro, pego a toalha e uma sensação esquisita percorre meu corpo todo… Como se fosse acontecer alguma tragédia. Oh! Sensação estranha essa. Que começo de dia tão esdrúxulo. Mas, estou falando em português. Esquisito mesmo, de excêntrico, inusitado, fora do normal. Não é espanhol, que é bom, esse esquisito. Não estou achando nada agradável essa sensação de domingo de manhã.

Não ouço barulhos vindos da rua. O que houve? O pessoal se esqueceu de que hoje é quarta-feira, dia de trabalho e de jogo?

Escolho minha melhor roupa, porque tenho uma apresentação aos diretores, dessas inovações que foram feitas no Facebook e no Google. São as hashtags que vão comandar o que aparece nos perfis e nos androides. Meu terno azul turquesa agora me vai muito bem, porque deixa esse frescor de inovação que está em minha mente, com a camisa branca de riscas acinzentadas, cintos e sapatos azul marinho, e a gravata azul marinho com fios dourados, dão um toque de elegância ao meu visual que eu sou tão cuidadoso. Em minha cabeça tudo é muito simples, no entanto, não creio que seja assim para todas as pessoas da diretoria, que mais parecem mortos vivos. Não sabem nada do mundo atual e querem que a empresa sobreviva sem fazer nada para ela atravessar o tempo em que está inserida e chegar ao futuro com a promessa de estar funcionando e ainda obtendo lucros. Deixassem suas mulheres no comando, que não estariam morrendo, como estamos, porque elas tem sede de novidades e capacidade pra se reinventar sempre que for preciso e, mesmo que não tivessem essa competência, estariam muito melhor equipadas para o futuro, porque sabem pensar nele e olhar longe, com a distância de uma sequência de ações futuras todas programadas. Elas não vivem só para o momento.

As hashtags vão comandar onde nossos produtos chegam. Isso é complicado de explicar às diretorias. Elas teriam mais chance nesse mundo globalizado por conta da capacidade de se ater às minucias.

Lá vou eu fazer o café após calçar os sapatos. Mas, que dia tão estranho!!! Onde está o barulho da cidade que acorda feito um vulcão em erupção todos os dias? Não estamos falando de uma cidade pequena. Estamos na capital. E, o que houve hoje?

Esqueço os sapatos e saio correndo, vou de chinelo até lá em baixo e ligo a TV para saber notícias. Será que todo mundo foi embora e me largaram aqui? Ideia absurda essa, falando sozinho…

Ligo a TV e nada de aparecer imagens.

Olho o celular, canal de notícias e não tem nada. Nenhuma chamada, nenhuma notícia.

Isso é estranho demais…

Saio de meias até o quintal e parece que os vizinhos não estão. Não sei o que pensar.

Vou tomar meu café e verificar depois o que aconteceu… Deve ser alguma pane no satélite de comunicação e os celulares TV e rádio não estão no ar.

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POESIAS CONTEMPORÂNEAS II – LANÇAMENTO

EU, Ayrton Mugnaini Jr., Thais Matarazzo, E MAIS UMA TRUPE DE ESCRITORES, VAMOS ESTAR NO DIA 9 DE JULHO NO RESTAURANTE GIOGIA CAFFE, NO INSTITUTO ÍTALO-BRASILEIRO, À RUA FREI CANECA, 1071, LANÇANDO O LIVRO POESIAS CONTEMPORÂNEAS.
O Ayrton Mugnaini Jr.,COMO SEMPRE, SURPREENDE, COMO SEUS REPENTES ENGRAÇADOS, NO PREFÁCIO DA EDIÇÃO. E EU, ENTREGO NELE, ALGUMAS DE MINHA POESIAS,JUNTO COM OUTROS ESCRITORES.
ESTAMOS PEDIDO, PRA QUEM FOR ADQUIRIR NA HORA, QUE
RESERVE AQUI NOS COMENTÁRIOS, PARA NÃO FALTAR LIVROS NA HORA.

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Biografia/ Lia Helena Giannechini

)
lia casamento pri 

Trajetória em rota..

Nasce minhas pegadas

Santana, São Paulo

Ladeira Leôncio de Magalhães

Escorrego meus acordes

189078_15Lia Pequena

Traquinagens de menina,

Campainhas de vizinhos.

Criançada debruçada

Nos quitutes de Dona Cida,

Mãe artista..

Pai dentista

Rubens Fidelis,

lia niver do pai

Nomeado como meu bisavô,

E lá encontro os primeiro passos

De minha irmã querida, Marcia,

lia iza festa2

Na ânsia de ir ao mundo

Salto do berço e me jogo ao mundo..

Gosto de escrever

Poetas me inspiram o adolescer…

J. G de Araújo Jorge, segue me encantando.

E assim a psicologia me arrebata

Nas cores de uma profissão

De um doar sem fim.

Nas profundezas do ser

Mexo e remexo

Nos personagens da vida,

Através do Psicodrama

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E assim, chegando em Piracicaba

Família caipiracicabana

Dois lindos filhos me acompanham.

ivo e Iza festa da carol

Sigo nas esquinas, escrevendo

Para os jornais da cidade

Deixo algumas marcas

Nos poetas da vida,

E nelas..

Na-morada

Segue meu rumo

De cancioneira,

Com parceiros

Que musicam

Adalton Miguel,

Ayrton Mugnaini,

Livros..

Ah!! “Doido, Eu”?!!

lia lançamento do livro doido eu

Nas escadas que rolo,

Que Lucinda Prado organizou..

Como é bom poder falar..

Destes mundinhos arrasados,

Dos sem teto apaixonados

“Pedrinhas Cintilantes”,

“À Sombra do Jatobá”, com Faustino

Tornam-me o que eu mais gostaria de ser..

Escritora de coração

Alma sensível

Que acorda para mundo

Escrevendo meus traços,

Meus olhares profundos

Sobre tantos desvelos humanos..

Minhas andanças eu registro

Nesta passarela de afetos

www.alemdooceano.wordpress.com

E, junto com amigos,

Cultivo um bloco de

“Poetas que gostam de poetas”

” Fadas e Duendes” com Alvaro Sertano

Completam o ciclo de iniciar neste mundo

minhas pegadas de poeta ..

de

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“Doido, Eu?” Coletânea de Contos com participação de Lia Helena Giannechini


O Livro “Doido, Eu???”, é uma coletânea de contos sobre andarilhos e mendigos, que tem como organizadora Lucinda Prado e foi escrito através do olhar da infância de seus autores, congregados a partir do Clube Caiubi de Compositores e vai ser lançado numa festa dos 10 anos do Clube Caiubi, em Moema, no Café Paon, dia 09.06, em São Paulo. Esperamos a presença de Leoni e Zeca Baleiro neste evento. Será sensacional!!!

www.cafepaon.com.br;

dia 09.06

19:00 horas

O endereço é Avenida Pavão, 950 – Moema – São Paulo

Fone: – (005511) 5041 6738 / 5533 5100

Os contos que eu escrevi são “Pedrinhas Cintilantes” sobre a queda do edifício Comurba e o rapto de uma criança na tragédia, ambientados na praça central de Piracicaba.

O outro, “À Sombra do Jatobá”, foi escrito sobre a Rua Apa, na Barra Funda, bairro central de São Paulo, conta sobre o choque cultural do começo da decadência do bairro, na chegada dos imigrantes nordestinos, que traziam  de seus lugares nativos as histórias do cangaço da Bahia, para assustar as crianças.

Quem se interessar, existem ingressos antecipados, através de um projeto muito interessante de participação de financiamento desta festa. Está no site:

http://movere.me/projet o/93-5-premio-caiubi-de-compositores/

Para quem quiser adquirir o livro, escrevam-me, que depois do lançamento eu o enviarei.

Contato para compra pelo e mail: lhgiannechini@gmail.com

 

Versión español

El libro “Loco, yo?” Es una colección de historias de vagabundos y mendigos, que tiene  la organización de Lucinda Prado y fue escrito a través de los ojos de los niños de sus autores, recogidos en Caiubi Club de Compositores y será puso en marcha en una fiesta de 10 años del Club Caiubi en Moema, Café Paon, días 09:06 en Sao Paulo. Esperamos la presencia de Leoni y Zeca Baleiro  en este evento. Será sensacional!

www.cafepaon.com.br;

Fecha:09.06

19:00 horas

 La dirección es Avenida Pavo Real, 950 – Moema – São Paulo

 Teléfono: – (005511) 5041 6738 / 5533 5100

Las historias que escribí son “Piedritas Brillantes” sobre la caída de la Comurba edificio y el secuestro de un niño en la tragedia, aclimatado en la plaza central de Piracicaba..
La otra, “A la sombra de la Jatoba,” fue escrito en la Calle Apa, en el barrio Barra Funda, en el centro del distrito de Sao Paulo, habla sobre el choque cultural de la caries temprana de la vecindad, la llegada de inmigrantes del nordeste del país, traídos desde sus lugares historias de nativos de los bandoleros de la Bahía, para asustar a los niños.
Cualquier persona interesada, puede comprar las entradas con antelación a través de una cuota de financiación del proyecto muy interesante de esta fiesta. Usted está en:
http://movere.me/projet o/93-5-premio-caiubi-de-compositor/
Para aquellos que quieran comprar el libro, me escribe, que después de la liberación voy a enviar.
Póngase en contacto para la compra en correo electrónico: lhgiannechini@gmail.com

English version

The book “Crazy, am I??” Is a collection of stories about drifters and beggars, which is organizing Lucinda Prado and was written through the eyes of children of their authors, gathered from Caiubi Composers Club and will be launched at a party 10 years Caiubi Club in Moema, Café Paon, days 09:06 in Sao Paulo. We hope the presence of Leoni and Zeca Baleiro this event. It will be sensational!

www.cafepaon.com.br;

June 09
19:00 hours
The address is Peacock Avenue, 950 – Moema – Sao Paulo
Phone: – (11) 5041 6738 (11) 5041 6738 5533 5100

The stories I have written are “Sparkling Rhinestones” about the fall of the building Comurba and the abduction of a child in the tragedy, acclimatized in the central square of Piracicaba.
The other, “In the Shadow of the Jatoba,” was written on the Street Apa, in Barra Funda, central district of Sao Paulo, tells about the culture shock of the early decay of the neighborhood, the arrival of immigrants from the Northeast, brought from their places native stories of the highwaymen of Bahia, to scare children.
Anyone interested, there are tickets in advance through a very interesting project financing share of this feast. You are at:
http://movere.me/projet o/93-5-premio-caiubi-de-compositores /

For those who want to buy the book, write me, that after the release I will send.

Contact for purchase by email: lhgiannechini@gmail.com

Lia Helena Giannechini’s Cop
Copyright :: All Rights Reserved Registered :: 2012-05-14 10:57:19 UTC Title :: “Doido, Eu?” Coletânea de Contos com participação de Lia Helena Giannechini Category :: Blog Fingerprint :: b16c49916d793ad210827649eefb138be03acfd379f04eed5e2558d0131f34f9 MCN :: EKASM-5K52L-A39RP

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