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Capítulo 2 / Estou sozinho no mundo/ Sozinho no Mundo / Lia Helena Giannechini

Capítulo Dois

Estou sozinho no mundo…

– Não é possível o que está acontecendo!!! Por favor alguém me explique?

– Estou falando sozinho!!!

– Será que alguém me ouve?

Parece que eu entrei num Reality Show, jogaram-me de paraquedas num programa de TV onde eu não vejo ninguém!

Vou até o quarto pegar os sapatos azul-marinho, com a sensação de pesar e de urgência que invade meu corpo. Depois pego meu café da manhã, que tomo com avidez porque estou morrendo de fome. Essa confusão toda abriu meu apetite. Devoro o pão com queijo e presunto feitos na torradeira, um pedaço de mamão, tomo o iogurte de ameixa e ainda pego um pedaço do panetone que comprei na véspera, porque já é tempo de Natal para se ter essas coisas na casa, que eu adoro. Época de panetone, uvas, pêssegos e alcachofras. Coisas deliciosas que eu faço questão, nessa estação do ano.

Vamos lá ver o que há com essa cidade que parece que virou um fantasma.

Saio para fora, pela garagem e vou até o vizinho. Bato na porta e ninguém responde. Não ouço nenhum barulho. Vou até a esquina andando a passos largos para ver se tem alguém na outra rua e também não vejo ninguém.

Suas casas imponentes contrastam com a minha pequena mansão amarela como eu a chamo. Ela é linda, com tudo o que é preciso para uma casa confortável. Sua entrada feito casa de boneca, com o pórtico de madeira na garagem, esconde o paraíso de pitangueiras, ameixeiras e a jabuticabeiras ao centro do quintal, com a entrada da casa na lateral passando por um corredor de pérgula acompanhada por um ramo de trepadeiras de flores amarelas, que faz o sombreamento do lugar. O chão de pedras mineiras dão um toque rústico a esse portal do meu aconchego. Isso é muito diferente das mansões que eu tenho como adjacentes. Lá, nas casas vizinhas tudo é de grande porte. Apenas a minha, o terreno é gigante e a construção é mignon.

Começo a ficar um tanto preocupado e volto correndo para casa.

Pego meu carro, uma Hilux, preta, que eu adoro também, pelo conforto que me traz para viajar e sigo até o entroncamento mais movimentado do bairro. É uma cidade fantasma. Não tem ninguém. Os sinaleiros estão funcionando. No posto de gasolina também não vejo nenhuma pessoa. Faço a manobra e estaciono na bomba de combustível. Ponho a alavanca no tanque do carro e aciono-a para colocar a gasolina. Encho o tanque e anoto o preço num bloco de notas que eu tenho no carro, para pagar depois. Que bom que isso estava funcionando. Sensação de que nem tudo está perdido.

Vou até a empresa ver o que há por lá.

Normalmente com o trânsito da manhã, levo 30 minutos para chegar. Vou passando pelas avenidas, repletas de palmeiras imperiais que abraçam o céu e me dão uma sensação de estar num lugar tropical, o que não é o caso dessa cidade imponente, no entanto, procuro ir bem devagar para notar algum tipo de movimento de pessoas ou de carros e nada. Não tem nenhum automóvel em movimento, nem parado na rua. Isso é muito estranho. Abduziram os carros também? Apenas as avenidas, os faróis estão funcionando, mas nenhum sinal de circulação.

Minha angústia começa a doer no peito e cada vez mais reforça a sensação de que estou sozinho, sem que ninguém possa me ajudar. Como se tivesse caído num abismo, que me deixou em alguma réplica da minha cidade, num universo paralelo, mas sem nenhuma pessoa.

O desespero bate em meu peito e eu tenho vontade de gritar.

– Onde estão vocês? Porque me abandonaram assim? Para onde me levaram?

Chego na porta da empresa e é só desolação. Seu Ananias não está lá. E, eu que quase nunca o cumprimento, sinto falta de sua educação ao abrir a portar e me dizer:

– Bom dia, senhor Arthur. Estava sempre tão atrasado que mal respondia o bom dia de praxe.

Corro ao elevador, entro nele apertando o 15º andar. Quando a porta começa a fechar eu a prendo para sair, com medo de subir e acontecer mais alguma tragédia ficando preso no elevador, sem ter ninguém para me salvar.

Alcanço as escadas, subindo por elas. Dou uma espiada no primeiro andar, nosso restaurante e percebo tudo arrumado para o café da manhã, mas, sem ninguém lá para tomá-los. Como se as pessoas fossem suprimidas do lugar por alguma razão. Pego uma xícara de café na máquina que funciona e saio. Vou para o 2º andar.

E nada de encontrar gente. Investigo um pouco e me parece que os funcionários deixaram suas mesas de trabalho ontem, sem voltarem hoje de manhã.

Vou assim até o 15º andar, investigando cada um deles, mas o que vejo é somente mesas, as vezes, bagunçadas, como se tivessem abolido as pessoas num dado momento e elas deixassem suas coisas inacabadas.

Chego sem fôlego e exausto pela corrida dos 15 andares. E entendo que não adianta correr. Isso só vai me desgastar, mas a minha necessidade de consumir essa adrenalina toda me faz querer correr como numa maratona.

Minha mesa está como eu a deixei ontem. Nada de novo, nenhum comunicado. Sento-me diante do computador e abro minha caixa de e-mails. O último foi enviado às cinco da madrugada, mas sei que é algo programado, para que você acorde com esse lembrete da reunião com os diretores hoje. Deve ter sido enviado ontem ao final do expediente.

Nenhuma pista do que está ocorrendo.

Nada para que eu possa entender o que aconteceu com as pessoas.

Vou descendo as escadas e pensando:

– Será que aconteceu alguma coisa com a Helena?

E até aquele momento não tinha percebido que podia estar acontecendo algum tipo de catástrofe e só eu tenha sobrado nesse lugar. Algum vírus, alguma evacuação por algum problema atômico, algum remédio onde as pessoas estejam dormindo ainda, colocados na água. Até parece que essa paisagem toda é montada e eu estou num filme de terror. Como se tivesse num sonho, que eu vou acordar. Belisco-me para saber se sou real e dói muito o beliscão. Parece que sou real, mas a paisagem não. Não poderiam ter feito uma réplica tão perfeita para um Reality Show.

Resolvo que vou até a casa dos meus pais ver o que aconteceu. Até o momento não tinha pensado neles. Faz mais de dois meses que eu não os via. Não me preocupo com meus velhos. Nunca fomos bons amigos, apenas convivemos na mesma casa. Depois que eu me mudei de lá, assumi minha vida e deixei para traz tudo o que eles representavam, para eu ter espaço na construção da minha história, independente da vontade deles. Mas, até quando eu me tornei um gerente de marketing de uma grande empresa como a Nox, que fabrica papeis personalizados, eles controlavam tudo da minha vida. Minha mãe não sossegou enquanto não me obrigou a fazer a faculdade que ela queria, onde seus irmãos tinham estudado. E eu tinha que puxar a eles, não ao meu pai que era catedrático em uma universidade pública.

Ela não gostava desse jeito de professor que sabe de tudo e não ganha dinheiro pra nada na vida, a não ser manter a casa e alguns poucos investimentos. Ela queria que eu tivesse sucesso como meus tios que eram donos de agência de propaganda e ganhavam o que queriam. Eram premiados e tinham lugar de destaque na cidade. Sabiam fazer uma campanha de marketing que deixava a todos de boca aberta e bolsos cheios. Ela precisava que eu fosse assim, não importava minha felicidade.

Lembro-me de quando era pequeno, ela me levava passear e eu me entretinha com pequenas coisas no trajeto como uma escada bonita, uma passarela de cor mais viva, alguma flor aberta exalando seu perfume ou até aqueles doces lindos de padaria que me davam inveja de quem iria compra-los e come-los. Eu não seria um deles infelizmente. Ela não me deixava abocanhar nada que não fosse permitido pelo médico pediatra, um chato de galocha que ela amava. Dona Teresa vinha ralhando comigo o tempo todo no caminho de volta da escola, dizendo para eu me apressar porque ela tinha hora no cabeleireiro, na manicure ou sei lá o quê.

Para ela eram as aparências que contavam. Assim, vestia-me como um príncipe na chegada de sua princesa e brigava sempre que eu me sujasse. Então, brincar era apenas no sitio da vovó, quando chegavam as férias, a melhor época da vida.

Mas meus avós, hoje já se foram. E, agora ela vive com meu pai na casa deles, sozinhos os dois, envelhecendo… Não quero fazer parte desse mundo deles…  Minha vida é outra.

Mas, vamos até lá ver se encontro alguma pista do que aconteceu com as pessoas desse mundo.

Dirijo com atenção pelas ruas e avenidas e espero que esse trajeto me deixe com mais pistas do que os anteriores. Porém, a medida que percorro o caminho, vejo que é uma ilusão pensar que vou encontrar pessoas.

Demoro o mais que posso na direção, mas como as ruas estão vazias não levo mais que 8 minutos para chegar, coisa que em dia normal levaria uma hora.

Estaciono na frente da casa e vem uma emoção em meu peito, como se um desamparo profundo acontecesse agora e eu não tivesse tempo para reclamar ou pedir ajuda. Minhas mãos começam a tremer e eu sinto que não tenho como controlar essa sensação que invade meu corpo e eu começo a chorar. Estou sentindo uma mistura de desespero e abandono. Lágrimas brotam em meu rosto e, eu me sinto vulnerável, tão diferente das sensações que eu tenho normalmente. Coisa que eu nunca tinha feito depois que virei um adulto. O pranto desce pelo meu rosto sem eu saber porque. Essas sensações afetam meu jeito de ser. Sinto-me impulsivo e irracional, tão diferente do que eu sou realmente. Meu jeito mais racional, longe dessas coisas de sentimentos agora estão ruindo, como uma construção que se desaba, quebrando as paredes e deixando para traz um amontoado de poeira que não serve pra nada. Sinto-me inútil nesse momento. A vida nem tem sentido mais, sozinho assim. Vou viver para vegetar? Não posso mesmo.

Corro para escada de frente da casa e pego a chave sobressalente que fica na santinha que protege a morada de meus pais. Assim ninguém fica pra fora de casa por falta de chave. Abro com cuidado para não assustá-los se eles estivessem lá por um acaso divino. Doce ilusão a minha.

Na sala com a mobília antiga de sofás e cadeiras de madeira de pinus, acompanhados de almofadas azuis, alguns traços de que minha mãe esteve bordando, como pedaços de linha e retalhos de tecidos, que ela fazia sempre que via TV.

Na cozinha, deparei-me com alguns pratos prontos na geladeira, como se eles tivessem saído e viriam para o almoço, que já estaria pronto, só para esquentar e comer. Eu não me faço de rogado e preparo meu prato. Ainda era cedo para almoçar, mas a canseira era tanta que resolvi comer e descansar um pouco. Pego as almondegas, o arroz, a batata palha e coloco pra esquentar no micro-ondas e começo a pensar… Vou ligar a TV daqui que pode ser que ela esteja transmitindo alguma coisa. E enquanto esquentava a comida eu aciono a TV e nada de sinal. Ligo o rádio e nenhum sinal também, apenas um chiado. Mas que coisa mais estranha. O que será que aconteceu com as pessoas?

Como com avidez toda a comida, repetindo. Ainda bem que minha mãe era prevenida e tinha deixado mais do que os dois podiam comer.

Subo as escadas e entro no quarto do meu pai. Ligo o computador e vejo que seus últimos passos estão num arquivo onde ele pesquisava mundos paralelos. Meu pai era catedrático em física. Acreditava em física quântica, em outros universos. Ao contrário de minha mãe, pois isso era motivo de uma das grandes brigas dos dois. Ele tinha a crença de que podemos transpassar esse universo material e se deslocar para mundos intermediários. Ela ria muito dele e achava que era louco. Mas, suas pesquisas de transferência para esses universos tinham lhe garantido prêmios internacionais, o que ela se matava de rir, por que não davam nem para comprar um novo computador de última geração e ele usava um de menor potência em casa. Apenas no laboratório é que tinha um de última geração.

Olho suas pesquisas e percebo que tem algo que se parece com a minha situação. O mundo paralelo tem suas nuances que pode trazer esse sintoma de solidão como se as pessoas tivessem sido abortadas.

– Será que estou num Universo paralelo que meu pai me colocou lá?

– Pai, pelo amor de Deus, se você fez isso comigo, por favor me dê um motivo muito importante, porque isso não é uma brincadeira. Não estou gostando nada dessa história. Quer fazer o favor de me explicar tudo isso?

E agora estou bravo. Muito bravo, com vontade de quebrar tudo o que vejo pela frente.

– Você está fazendo experiências comigo?

– Deve me odiar para me lançar numa situação tão angustiante assim. Começo a falar em voz alta, para pode sair toda essa mistura de sentimentos que me atordoam.

-Porra, meu, que maldade é essa que você fez comigo? Caralho, bem que minha mãe dizia que você era louco varrido e que eu tinha que seguir outros modelos. Você não tem o direito de me trancar num universo paralelo assim como está fazendo comigo agora. Eu não sou seu experimento.  Começo a gritar. – SEU VELHO SAFADO. SR. ALEXANDRE, REI DO UNIVERSO, LARGA DO MEU PÉ, VELHO BABACA EU NÃO SOU PROPRIEDADE SUA. 

Grito com todo o meu pulmão até não poder mais respirar Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO!!! LARGA MÃO DE BRINCADEIRA E VÊ SE APARECE!!! VOCÊ NÃO PODE SUMIR E ME DEIXAR ASSIM SOZINHO.

E depois caio num choro convulsivo, de perder o fôlego. Minhas pálpebras se fecham e saem borbotões de lágrimas, minha respiração fica ofegante, o corpo todo treme e eu não consigo parar de chorar por um bom tempo. Meu mundo acabou por conta da experiência desse velho inútil.

Choro por uma hora sem parar sentado na cama deles, coisa que eu fazia apenas quando era menino e adormeço lá.

 

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Book Proposal / Ricardo Tagliaferro

Buenas!

Já ouviu falar de Book Proposal (proposta de livro)? Sabe o que é?

Há algum tempo estive estudando produção editorial e me deparei com essa ferramenta bem bacana que as grandes editoras usam para selecionar novos títulos.

O que é? Uma proposta do seu livro à editora. Uma apresentação do seu “produto”.

Para que serve? As editoras recebem milhares de originais todo o tempo e os editores não têm tempo de ler todas as obras de forma integral, o book proposal serve justamente para “cortar caminho”. O editor lê a apresentação de sua obra, e, se gostar, solicita o original completo para então dar prosseguimento ao processo de produção editorial.

É como se o seu livro estivesse em um processo seletivo para uma vaga em uma multinacional e o book proposal fosse o currículo. Um currículo bem feito sempre chama a atenção e instiga curiosidade no recrutador que acaba chamando seu dono para a tão esperada entrevista. Com um livro não é diferente.

Como fazer? Abaixo deixo uma foto de um modelo ensinado pela autora Samanta Holtz (Arqueiro) para apresentar seu trabalho de forma objetiva e, talvez até aumentando as chances de publicação, visto que não vai ser mais um original jogado entre tantos outros

Há 4 anos, quando iniciei minha carreira de escritor, pouco sabia disso e quando soube, custei a acreditar no real potencial dessa ferramenta (burrice da minha parte, óbvio), mas hoje, preparando o meu terceiro romance para ser mostrado ao mundo, decidi dar o menor número de cabeçadas possível e, é por isso, que estou passando por aqui, para deixar essa dica para você também.

Não é certeza de aceitação por nenhuma editora, mas é uma dica valiosa para quem sonha em “conseguir uma cadeira” no hall dos escritores de editoras como o Grupo Editorial Record, Leya, Agir, Arqueiro, entre outras tantas editoras “tops” do mercado. Uma dica dada, não por mim, mas por alguns outros autores publicados nelas.

Seja cuidadoso (a), afinal, é a primeira impressão que o editor terá de você e de sua obra. Escreva seu book proposal com atenção, revise quantas vezes forem necessárias, não omita informações importantes, evite ser muito presunçoso, afinal, é você quem está submetendo a sua obra, não o contrário.

Se mostre da maneira correta e será visto por quem deve ver.

Ricardo Tagliaferro

Produtor editorial

Autor de 100 cartas de uma saudade e 18 anos de solidão

www.ricardotagliaferro.wix.com/home

 

SINOPSE – 100 Cartas de uma Saudade

O que aconteceria se seu ar lhe fosse tirado? O que aconteceria se a coisa mais importante da sua vida fosse roubada? O que aconteceria se o amor de sua vida nunca tivesse existido? Um homem destinado a escrever palavras de amor e saudades para alguém que talvez nunca vá ler. Ele simplesmente se vê obrigado a reaprender a viver (…) “100 Cartas de uma saudade” relata a história de um jovem rapaz que tenta lidar com o frio da serra gaúcha, a falta de imunidade e a pior de todas as saudades: A do amor de sua vida. Um livro que mostra que nem todas as cartas de amor são clichês e que nem todos que se vão, tem a oportunidade de voltar a tempo.

 

100 cartas de uma saudade

LINKS DE COMPRA:

Físico: ESGOTADO
Digital: https://www.amazon.com.br/dp/B00N1W3KTM

Conheça no Skoob: https://www.skoob.com.br/100-cartas-de-uma-saudade-524467ed532041.html

SINOPSE – 18 ANOS DE SOLIDÃO

Uma morte, um mistério, uma saudade. 18 anos de solidão dá continuidade a “100 cartas de uma saudade” e conta a vida de Manoella depois que Lincoln se foi, explica os atos que a induziram a cometer o maior erro de sua vida e nos mostra uma mistura de medo, solidão e egoísmo que transformou a vida de duas pessoas.

18 anos de solidão

LINKS DE COMPRA
Físico: https://goo.gl/YH7K8C
Digital: https://www.amazon.com.br/dp/B06XB726KB
Conheça no Skoob: https://www.skoob.com.br/18-anos-de-solidao-585541ed587302.html

 

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Sozinho No Mundo / Capítulo 1 Relembrar a noite passada / Lia Helena Giannechini

Relembrar a noite passada…

Acordo com as memórias dos prazeres da noite passada em minha cabeça.

Há muito tempo eu e Helena não tínhamos momentos tão bons. Contrastava com as últimas vezes que nos vimos, onde tudo parecia um tédio. E, eu sabia que não era por culpa dela. Percebia que meu enfado pela vida não dependia de sua presença. Ao contrário, ela era meu porto seguro, meu oásis, como parecia aquele buraco na parede que refletia a única gota de luz solar, que se atrevia a roubar minha escuridão matinal, que eu amava tanto. Já estava amanhecendo e os raios do sol invadiam o quarto, dizendo que já era hora de me levantar. Ele parecia muito mais vigoroso que eu, nesse momento. Só queria ficar recordando aqueles beijos molhados, quentes e excitantes que ela me lançou assim que nos vimos. Isso era tão bom!

Ela prendeu seus braços em volta de meu pescoço e com suas carícias em beijos sublimes, introduziu sua língua morna, em minha boca, explorando minha surpresa e arrancando de mim sensações de prazer que reverberaram em todo meu corpo, fazendo meu desejo de estar com ela nua ir às alturas. Mas, tínhamos um longo caminho pela frente. Esse era nosso primeiro contato, daquela noite que já parecia gloriosa.

A gota invasora estava cada vez mais forte, fazendo-me lembrar que já era hora de ir tomar meu banho matinal. E, eu naquela preguiça toda, lutava com a intensidade dela, para que aquele momento que eu recordara, não acabasse jamais. Mas, não podia faltar ao trabalho. Agora não era hora de me perder nas gostosuras dessa mulher, por quem eu estava completamente apaixonado, embora ela fazia parte do pacote que eu estava inserido.

Lembrando da sensação inebriante que a dança com ela me produziu, fui ao chuveiro. Tinha, ainda fresca, a ideia de sua mão em meus ombros, seu corpo aconchegado ao meu, enquanto dançávamos a salsa, tão elegante. Suas cadeiras balançando associadas ao ritmo de meu quadril que dançava em passos determinados, fazendo com que suas ancas se misturassem a minha cadência e meu frescor e, além disso, ainda posso reviver esses bons momentos de entrega que ela me proporciona, sempre que dançamos juntos. Esses ritmos latinos deixam-nos mais próximos. Ela nunca esteve na Colômbia, mas lá, eles dançam nas ruas. E todas as mulheres balançam as cadeiras assim. Aqui, no Brasil, nem sempre elas acompanham esse compasso tão marcado e tão sedutor.

As gotas de água começam a cair em meu corpo, dizendo que é hora de me conectar com o agora. Já chega de lembranças boas. É tempo da dura realidade de ter que matar o coelho de todo dia, para que as refeições sejam lautas. No entanto, se eu não precisasse trabalhar agora, ficaria relembrando o resto da noite que tinha sido mais que ardente, fenomenal. A vida reserva boas lembranças quando deixamos os momentos gostosos tomarem conta de nossas sensações e esquecemos de todo o resto, mesmo que seja por algumas horas. Nosso oásis de alegria, que nos alimenta e nos protege para que a luta diária tenha sentido.

A minha… bom, essa não tem tido muito sentido, não. Cada conquista profissional já não me agrada mais como antes. E sei que tudo isso é culpa de minha mãe, que precisava de um filho notável, para pôr em seu currículo mais esse feito.

Ao ensaboar minha cabeça, as sensações de peso e desânimos recomeçam. Oh! Vida triste essa que eu me deixei levar. Chegar no escritório a cada manhã, tendo que criar uma campanha de marketing digital para as empresas, deixam-me entediado. Esse Facebook, só anda nos atrapalhando com suas mudanças. E o Google resolveu nos embaralhar mais uma vez nessas métricas, que nada mais são do que o alcance que conseguimos com nossas postagens, para divulgar a marca ou produtos, duas coisas tão distintas, que a empresa nunca dá o seu devido valor. Apenas querem que venda, mas esquecem que a empresa tem que permanecer no tempo e, na trajetória, ganhar espaço no coração dos clientes, fidelizando suas compras em nossa companhia…

Nossa empresa? Eu devo estar maluco mesmo. Se fosse minha, seria muito diferente de tudo o que eles fazem lá. Nesse mundo globalizado e digital, os donos perderam a mão de seus negócios quando não atualizaram seus procedimentos de administração em todos os setores da empresa.

Água morna caindo no corpo, deixa a esperança de ser um dia bom…

Desligo o chuveiro, pego a toalha e uma sensação esquisita percorre meu corpo todo… Como se fosse acontecer alguma tragédia. Oh! Sensação estranha essa. Que começo de dia tão esdrúxulo. Mas, estou falando em português. Esquisito mesmo, de excêntrico, inusitado, fora do normal. Não é espanhol, que é bom, esse esquisito. Não estou achando nada agradável essa sensação de domingo de manhã.

Não ouço barulhos vindos da rua. O que houve? O pessoal se esqueceu de que hoje é quarta-feira, dia de trabalho e de jogo?

Escolho minha melhor roupa, porque tenho uma apresentação aos diretores, dessas inovações que foram feitas no Facebook e no Google. São as hashtags que vão comandar o que aparece nos perfis e nos androides. Meu terno azul turquesa agora me vai muito bem, porque deixa esse frescor de inovação que está em minha mente, com a camisa branca de riscas acinzentadas, cintos e sapatos azul marinho, e a gravata azul marinho com fios dourados, dão um toque de elegância ao meu visual que eu sou tão cuidadoso. Em minha cabeça tudo é muito simples, no entanto, não creio que seja assim para todas as pessoas da diretoria, que mais parecem mortos vivos. Não sabem nada do mundo atual e querem que a empresa sobreviva sem fazer nada para ela atravessar o tempo em que está inserida e chegar ao futuro com a promessa de estar funcionando e ainda obtendo lucros. Deixassem suas mulheres no comando, que não estariam morrendo, como estamos, porque elas tem sede de novidades e capacidade pra se reinventar sempre que for preciso e, mesmo que não tivessem essa competência, estariam muito melhor equipadas para o futuro, porque sabem pensar nele e olhar longe, com a distância de uma sequência de ações futuras todas programadas. Elas não vivem só para o momento.

As hashtags vão comandar onde nossos produtos chegam. Isso é complicado de explicar às diretorias. Elas teriam mais chance nesse mundo globalizado por conta da capacidade de se ater às minucias.

Lá vou eu fazer o café após calçar os sapatos. Mas, que dia tão estranho!!! Onde está o barulho da cidade que acorda feito um vulcão em erupção todos os dias? Não estamos falando de uma cidade pequena. Estamos na capital. E, o que houve hoje?

Esqueço os sapatos e saio correndo, vou de chinelo até lá em baixo e ligo a TV para saber notícias. Será que todo mundo foi embora e me largaram aqui? Ideia absurda essa, falando sozinho…

Ligo a TV e nada de aparecer imagens.

Olho o celular, canal de notícias e não tem nada. Nenhuma chamada, nenhuma notícia.

Isso é estranho demais…

Saio de meias até o quintal e parece que os vizinhos não estão. Não sei o que pensar.

Vou tomar meu café e verificar depois o que aconteceu… Deve ser alguma pane no satélite de comunicação e os celulares TV e rádio não estão no ar.

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Mulheres da família

 lia natal

FAMÍLIA DE MULHERES FORTES
Minhas bisas !!!
Não conheci nenhuma
Apenas sei…
Que, como todas nós, 
Eram mulheres fortes
Daquelas que a vida
Vai batendo
E elas levantando
E sacudindo a poeira
Num eterno recomeço.

Minha avó
Mulher de fibra
Costurando teceu a vida,
Formando filhos,
Ensinando sempre,
Tudo o que sabia
Dessas andanças
Que fazem a roda
Acontecer sempre
Onde estiver.

Minha mãe
Uma mulher sem igual
Sua forma foi atirada
Ao fundo do mar..
Mas sobrou sua arte..
Pra contar sua história
De mulher guerreira
Que no caminhar
Deixou suas marcas
Por onde passou

Minha filha linda
Aprendeu como eu
A lutar e não desanimar..
Mesmo que as agruras
Sejam assim
Do tamanho de montanhas sem fim ..
Ela aprende tudo o que pode..
E com isso
Faz da netinha
Uma personalidade sem par
Que desde cedo
Já sabe o que quer

Minha neta Caroll
É um doce de gente..
Puxou a família
Personalidade forte
De mulher guerreira
Que não se abate com a vida..
E faz ela acontecer
Onde estiver
Com quem puder..

E assim
De geração em geração
As mulheres seguem esse rumo
Abraçando o infinito
Saltando de cada cume
Rumo a viagens
Tão desconhecidas
Falando sempre
O que querem

E como querem..
Assim são….
Nossas mulheres

E nossos homens,
Filhos e netos tão lindos,
Gerados com tanto amor.. .
Aprendem a dar
O devido valor
A essas guerreiras
Que não tem medo
De sozinhas enfrentarem esse mundo
E levarem
A vida em frente..
Sempre com muito amor..

festa natal

 — com Izabela Garbino,Jose FaganelloMarcia GiannechiniJenny FaulbornIvo Giannechinni.

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AS LUZINHAS VERDES DO MEU COMPUTADOR Diário da Maturidade (61) de Sergio Clos Uma réplica de Lia Helena Giannechini

janela Avi Belaish

Faz algum tempo que minhas luzinhas verdes acenam para amigos. Alguns, muito queridos, daqueles onde o coração mora junto.

Mas, quando adolescente, em cada esquina que dobrava, existia uma esperança de encontrar aquele mocinho lindo, que ficava observando-me pela janela. E eu sabia que era para mim. Minha irmã ainda era nova para pensar nesses detalhes. Ela brincava com bonecas e eu sonhava na janela. E quando saía para buscar pão na padaria (isso eu podia fazer todos os dias, meus pais não me impediam), rezava para encontrar o moço que me observava.

Um dia o padeiro me surpreendeu. Ao sair com o pão, ele saiu do caixa e foi me acompanhar de volta a minha casa e me convidou para encontrar com ele na praia no sábado à tarde. E eu lhe disse, não posso. Esse é um horário que meu pai está em casa e eu não posso sair. Mas, a verdade era porque o mocinho da janela me fazia bater o coração mais forte.

E em cada saída, o coração se apertava. O sangue me ruborizava, só de pensar que ele podia estar lá na frente de casa, na rua, observando-me. Um dia, ao descer, saí do elevador e ele estava do outro lado da calçada vigiando minha sacada. E eu quase morri de susto. Mas, o que fazer para falar com ele? Não sabia seu nome. Não conhecia nada dele. Como falar? Fiquei em suspenso, pedindo para que ele me notasse ali na porta do prédio. E ele, firme e seguro, olhava a janela do meu apartamento.

Fiz alguns barulhos quando cheguei à porta, abrindo-a. Mas ele seguia obcecado, com olhar fixo para o alto, completamente desatento ao que se passava ao seu redor. Tentei mais uma vez tossindo. Deixei cair minha carteira no chão. E nada dele olhar para a porta do prédio. O elevador subiu. E desceu. E algumas pessoas saíram. Ficaram me observando: o que eu fazia parada na porta mirando um garoto que olhava para uma janela, fixamente. Cochichavam, e eu sem ter escapatória tive que ir, olhando de vez em quando, para trás, para ver se ele me notava… E lá no final da rua, quando ia dobrar a esquina, o garoto ia embora, em direção oposta a minha sem me ver…

E hoje, quando acende uma luzinha eu vou logo dizendo:  – Ola!! Boa noite… Como vai? Não quero mais perder a oportunidade de conhecer pessoas que eu tenho certeza que vou gostar, como acho que gostaria do garoto da janela. Depois de um tempo aceitei o pedido do padeiro. Mas na praia  de mãos dadas, ele querendo me beijar a qualquer custo, percebi, que eu ainda não estava pronta pra essa coisa de namorar, como o padeiro queria. Era época dos flertes da janela ainda.

Diário da Maturidade (61)

AS LUZINHAS VERDES DO MEU COMPUTADOR de Sergio Clos

Foi há muito tempo. Era eu um adolescente. Nas andanças pelo bairro, não raramente, olhava a janela de certa casa na esperança de ver a guria que tinha me balançado. Às vezes pegávamos o mesmo ônibus e havia, mesmo que timidamente, uma troca de olhares.

Para mim era importante, para ela, não sei. Havia uma admiração, um amor platônico, coisa de guri. A guria era tri bonita. Quando minha mãe pedia para eu ir ao armazém, fazia o caminho mais longo só para olhar se a janela estava aberta e torcendo para que ela estivesse em casa.

O tempo passou e eu já nem lembro mais que fim levou essa história. Ela não ficou comigo e também não sei se ela havia me notado.

Décadas passaram e cá estou eu em frente à tela do meu computador na rede social. No canto direito da tela têm umas luzinhas verdes indicando quem está online. As andanças que fazia no bairro foram trocadas pelas caminhadas virtuais. As luzinhas verdes são as janelas abertas de antigamente.

E, não tem jeito, tem uma luzinha em especial que eu torço para estar acesa. E, quando está, abro o inbox e fico vacilando se mando ou não uma mensagem. É como antigamente, chegava até o portão da casa da guria e titubeava também. Não sabia se a chamava ou não. Às vezes o cachorro me dava um corridão. Hoje, no inbox não tem cachorro, mas tem a indiferença, o que é bem pior. Prefiro mil vezes o cachorro! O máximo que consigo é ser visualizado e depois um silêncio que dói. Porcaria de tecnologia!
Vou andar pelo bairro. Talvez a janela esteja aberta.
E, o mais dramático de tudo isso é ser envelhescente e adolescente ao mesmo tempo!
Sérgio Clos

POEMA DO TEMPO

No passar do tempo
No tempo sem vento
Na calçada
Sem pedra
Nos meandros
A baderna
Na Lua sem diamantes
Do amante
No conluio
Vou pra casa
Na vidraça
Já olho sem graça
O banco está vazio
Que frio
Passa das cinco
O sabiá com afinco
Me zonzeia
Divagar não me chateia
O tempo é que me odeia

Sérgio Clos

Enviado por Sérgio Clos em 21/07/2015

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pintura janela de abi halaish

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Surpresas de uma mãe de primeira viagem

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Quando minha filha nasceu eu era mãe de primeira viagem que nunca tinha visto ninguém ter filhos perto de mim. Então eu não conhecia nada de perto.

Tinha feito uma preparação para o parto e todas as consultoras me diziam para ter parto normal que era muito melhor.

Eram 5.30hs da manhã quando eu comecei com uma dor nas costas esquisita. Embora ainda não estivesse nos dias de ter, já estava com o bebê encaixado, segundo o médico e poderia ser a qualquer momento. Faltavam duas semanas para completar as 38 semanas normais. Então não liguei muito para a dor e comecei a fazer o café da manhã, como sempre. Meu marido saiu às 6.30hs como de costume e eu fui fazer as tarefas normais.

Começaram as dores e a barriga endurecendo. Agora eu já sabia que era hora. Liguei pra faculdade do telefone da vizinha e pedi para o meu marido voltar (não existia celular na época). Minha mala já estava pronta. Mas o parto seria em Campinas, hospital que tínhamos convênio médico. E eu estava em Piracicaba. Quando meu marido chegou saímos voando para o Centro Médico de Campinas, em Barão Geraldo.

Durante a viagem minhas dores começaram a diminuir o espaço de tempo e eu falava para o meu esposo para ele apertar o passo porque o neném ia nascer na estrada.

Ele corria mais do que nunca. E o guarda inventou de parar pelo excesso de velocidade. Foi um susto danado. Quando ele viu que o bebê estava nascendo nos deu proteção e foi na frente abrindo caminho.

Nessa hora eu sosseguei. Sabia que se precisasse teria ajuda do policial.

São momentos onde é tão importante ter gente que saiba o que fazer. É só assim que uma grávida se sente segura para ter o bebê. Eu havia feito a preparação do parto e aprendi a fazer a respiração de cachorrinho. Isso me deixou sem aquela dor terrível que as mulheres sentem.

Chegamos eram 7.35 em Campinas no Hospital. Eu estava com 8 dedos de dilatação e o médico me esperava. Fui colocada direto para a mesa de cirurgia.

A bebê nasceu às 8.00 horas da manhã.

O médico fez a episiotomia, o corte que ajuda a sair o bebê. Tudo foi tão rápido que não me lembro da força que tive que fazer para sair o bebê. O parto foi sem anestesia. Mas recordo da imagem mais linda que eu tenho gravado na memória. Quando colocaram a bebê no meu colo, após o parto ela levantou a cabeça, como que querendo olhar o mundo todo, olhou de um lado, virou o pescoço, olhou para o outro lado e só depois descansou a cabeça no meu colo. Todos aplaudiram e riam do feito dessa menina que já nasceu com a gana de conhecer o mundo.

Nessa hora o médico já estava me costurando com pontos que depois inflamaram e eu tive que tomar antibióticos e passar remédios para desinflamar.

Foi nesse momento que o médico perguntou se já sabíamos o nome da bebê. E ele disse que ela tinha carinha de Izabela. Assim foi batizada a bebê mais linda do mundo.

Nessa hora o que me valeu, além de todo o treinamento foi a mão amiga do meu marido e do meu médico de confiança. Eles entenderam toda a urgência da situação e me deixaram confortável e confiante de que daria tempo de chegar ao hospital.

Tudo feito com grande correria, mas a tempo de ter essa criança linda que emocionou a todos deixando sua marca desde o nascimento.

Histórias como essa que eu contei hoje, vocês poderão ver muitas aqui neste blog. 

#mãe de primeira viagem 

#liagiannechini

#caricreare 

#maternidade 

 

 

 

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Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.

http://razoesparaacreditar.com/sustentabilidade/aos-67-anos-este-homem-transformou-30-hectares-de-deserto-em-terras-cultivaveis/

terras ferteis

Ontem eu ganhei um herói, o Sr. Yacouba Sawadogo.  Não foi um desses heróis comuns, que nos encantam nas histórias em quadrinhos ou filmes de Hollywood. Algo que me cativou profundamente. Um homem hoje, com 67 anos, passou uma vida inteira plantando árvores num local deserto. E com práticas milenares, conseguiu transformar 30 hectares de terras improdutivas em terras férteis. Com uma simples adição de esterco e compostos orgânicos em valas de 20 cms, junto com as sementes.

Na época, o consideraram louco, mas, 40 anos depois, ele já floresceu mais de 3 milhões de hectares de terras desérticas em 8 países do Sahel.

Esse tipo de prática milenar, que minha sogra praticava em seus vasos e plantas, e elas eram lindas, e agora eu, que moro numa casinha popular, dessas sem forro e sem muitos recursos, com terras de saibro no quintal, tento fazer o mesmo e produzir uma pequena horta, nos meus 50 metros quadrados de terras inférteis. Ali não crescia nem um pé de limão que estava plantado quando eu cheguei à casinha. Todo dia guardo minhas cascas de legumes e compostos orgânicos, lixos da minha cozinha e coloco nesse quintal de terras tão improdutivas. O mato cortado é empilhado em um canto da parede e torna-se viveiro fértil para essas plantinhas de temperos, legumes e frutas, que eu adoro tanto. Alguns anos ainda vão se passar para que com essa prática, tudo volte a ser fértil.

Esse ano, por exemplo, já surgiu uma legião de borboletas amarelas, azuis, vermelhas no quintal. Alguns vagalumes resolveram me visitar nesse verão. E os gatos ficam alucinados atrás desses pontinhos de luz que brilham no breu da noite. Até os marimbondos resolveram lá se instalar. E quem liga pra isso hoje em dia? E pra quê ligar para isso?

O mundo moderno foi perdendo a capacidade de se ligar na terra, de cuidar de seu entorno. As pessoas perderam o encanto por produzir suas próprias plantações de temperos, verduras e legumes mesmo que num quintal pequeno ou na varanda de um apartamento.

Pra que isso? O planeta em seu aquecimento global, nem precisa de nada disso!!! As pessoas compram seus hamburgs e matam sua fome diária e não precisam mais comer nada fresco, cheio de vitaminas. E o ser humano vai se degradando. Mais câncer, mais doenças a cada dia, mais stress, mais depressão e um tanto de transtorno mentais.

É impossível as pessoas pensarem que a vida tem que ser equilibrada. Ela pede esses momentos de recolhimento, de fazer alguma coisa boa para si, para as pessoas que convivem e para o planeta. Como é difícil pensar que temos que cuidar de nosso entorno. E que a qualidade de vida de nossos filhos e netos depende de tudo o que deixamos plantados em nosso quintal, como prática de vida. Não apenas o próprio alimento e sim uma atividade que nos deixe bem, que faça o bem para os que convivemos. Que teça uma prática duradoura que sirva ao planeta.

As empresas em seus métodos de se instalarem em uma cidade, deixam um rastro de destruição em todo o ambiente, utilizando todos os recursos naturais, como se fossem inesgotáveis. Esquecem que em seu entorno vive gente, que precisa respirar, beber água, lavar suas casas, com os recursos que sobram no ambiente. E tem que conviver com um ecossistema degradado, por práticas centenárias de abandono.

Mas quando lembramos que tudo o que fazemos hoje, será o que teremos amanhã em nossa vida, eu fico feliz de estar criando, meu pomar, minha horta, meu ecossistema de bichinhos, plantinhas e pequenos insetos que fazem parte de um sistema maior de nosso planeta vivo. E as duas horas diárias de cuidados em meu quintal vai me trazer a alegria de ver meu quintal florescendo, minha vida se encantando com todas as coisas simples e lindas que eu ajudei a cultivar.

Eu fico feliz!!! Não me sobra muito tempo para as depressões e pensamentos negativos, quando vejo em meu quintal, um abacateiro crescendo, saído de uma semente de abacate plantada. Alguns mamoeiros cujas sementes floresceram só de serem jogadas na terra, as abóboras e morangas se espalhando pelo quintal e lindas batatas doces roxas, que em cada roça de quintal eu tiro umas 50.

Depressão é não se ligar em mais nada da vida, é deixar de lado esse sistema ancestral e não se conectar para fazer o bem. É perder a capacidade de se orientar pelas estrelas, é deixar o sol nascer sem uma saudação da vida, que cresce em torno de si.

Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.

Publicado em COTIDIANO, poesias

CANÇÃO DO AMANHECER/ RENATO POP MÚSICA E LIA HELENA GIANNECHINI LETRA

Sou lua sou vento,

Sou dança, sou lento

Poesia com talento,

Palavras que tento,

Nas frases do amor

Soltas ao luar

Envolvo meus encantos

E devolvo meus prantos

Na medida da crase

Que o sentindo faz deitar

O passo que não dei,

Nas armaduras do meu ser

Desmontei

O eterno sonhador

Acordei

Na madruga anoitecí

E de cabelo solto

Deixei recobrir meu corpo

De beijos e caricias

Para num espectro ascender

E deitar meu canto

No lago profundo da vida

Que me leva a sorrir

A pensar e a fazer

Uma vida em cada momento

E uma canção

Em cada instante

Que meu ser se une.

A todas as vozes do universo..

E o desejo de você em meu leito

Para o amor completar

A senda do viver

Publicado em COTIDIANO, História

CONSTRUINDO VIDAS / PROJETO COM BEL PESCE

http://www.ajudanca.com.br/projects/BCMZgdzrQH5u7oQ4L

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construindo vida

PROJETO DO CANTINHO DA AMIZADE: CONSTRUINDO VIDAS

ESCREVER HISTÓRIAS É UMA GRANDE SATISFAÇÃO PARA MIM.

CONECTAR PESSOAS É OUTRA.

ENTENDER COMO A SOCIEDADE SE VINCULA É A RAZÃO DE MINHA EXISTÊNCIA. COMO OS FENÔMENOS SOCIAIS SE PROPAGAM E MUDAM OU MODIFICAM O PENSAR DA TRAJETÓRIA DE UMA SOCIEDADE É UMA PAIXÃO.

AO VER ESSA OPORTUNIDADE DE PODER MOSTRAR UM PROJETO, A UMA DAS MENINAS MAIS FALADAS DO BRASIL, ÍCONE DE UM TRABALHO PIONEIRO, COMO É A MENINA DO VALE, DE BEL PESCE, QUE SE TRANSFORMOU EM UMA HEROÍNA NACIONAL, PORQUE SABE O QUE QUER E SABE AONDE QUER CHEGAR, EU NÃO EXITEI EM ME CONECTAR COM ELA E SEU PROJETO.

NOSSO CANTINHO PASSA POR TRANSFORMAÇÕES. NEM SEMPRE PODEREMOS AJUDAR NAS FAZENDAS COM OS PROGRAMAS QUE USAMOS, POIS ELES ESTÃO SENDO ALVO DE TRABALHO DIRECIONADO DA MICROSOFT PARA ACABAR COM TODOS ELES.

MAS TEMOS OUTRAS FORMAS DE NOS CONECTAR: MOSTRAR AO MUNDO QUE SOMOS UMA COMUNIDADE QUE SE APOIA. E ATRAVÉS DE NOSSAS HISTÓRIAS PODEMOS CONSEGUIR PATROCÍNIO PARA O GRUPO E PARA NOSSOS JOGADORES.

POR ISSO, MOSTRAR COMO NÓS FUNCIONAMOS LEVANDO AJUDA NOS JOGOS, E O ENCONTRO DE PESSOAS ATRAVÉS DAS BRINCADEIRAS DO GRUPO, DEIXA-ME PENSAR QUE TEMOS UM TESOURO EM NOSSAS MÃOS QUE PODE VIRAR UM CLUBE DE ENCONTRO, DE INDICAÇÕES E ELAS PODEM REVERTER EM PRÊMIOS AO NOSSO GRUPO.

ASSIM CONTAR NOSSAS HISTÓRIAS E FAZER O MUNDO CONHECER ESSE NOSSO TRABALHO LINDO, FEITO COM TANTA DOAÇÃO DE TEMPO, DE CARINHO DE ATENÇÃO À NOSSA COMUNIDADE, FAZ ME PENSAR QUE ESSE TESOURO PODE DAR LINDOS FRUTOS.

PRECISAMOS CRIAR UMA CARA NOSSA, CONTAR ESSAS HISTÓRIAS E TER PESSOAS QUE NOS PATROCINEM.

NOSSA MISSÃO É CRIAR UMA COMUNIDADE QUE SE CONECTA ATRAVÉS DA ALEGRIA

NOSSOS VALORES SÃO A DOAÇÃO DE NOSSO TEMPO, NOSSO CARINHO E NOSSAS BRINCADEIRAS.

NOSSO OBJETIVO É CONTAR NOSSAS HISTÓRIAS E CONSEGUIR PATROCÍNIO PARA O GRUPO

NOSSO PRIMEIRO PASSO RUMO A ESSE PROJETO É CONSEGUIR O PATROCÍNIO DA BEL PESCE EM NOSSO PROJETO.

O QUE VOCÊS ACHAM DE CLICAR NESSE LINK DO PROJETO DA BEL PESCE, E NOS DAR A CHANCE DE FAZER ISSO ACONTECER PARA TODAS NÓS.

SOMOS MUITOS, 15.000 HOJE EM DIA, SERÁ QUE CONSIGO APOIO DA MAIORIA, PARA ESSA EMPREITADA?

SE CONCORDAREM COMIGO CLIQUEM NO LINK E DEPOIS EM APOIAR E REPASSEM AOS SEUS AMIGOS PARA QUE ELES NOS APOIEM TAMBÉM!