O poder do Ouro/ José Faganello


O Poder do Ouro

JOSÉ FAGANELLO

“Nenhuma Fortaleza, a cujos muros um jumento carregado de ouro pode ser conduzido, é inexpugnável” (Felipe II da Macedônia).

Felipe II, pai de Alexandre o Grande, assumiu o trono da Macedônia em 359 a.C.

Seus domínios eram pequenos para sua ambição. Felipe organizou um exército bem equipado, munido de lanças mais longas, cavalaria de choque e muita disciplina.

Percebeu logo que exércitos e guerras custam caro e, ao anexar uma região aurífera de um lugar cheio de fontes, denominado Crenides (Pequenas Fontes), deu-lhe o nome de Filipos, em sua própria homenagem.

Fez explorar essas minas de tal forma, que conseguia manter sem apertos monetários seu exército e aumentar seus domínios através de subornos.

Esse ouro de Crenides precedia suas temíveis falanges (grandes unidades militares) e conseguia abrir os portões das fortalezas com maior facilidade do que os aríetes e catapultas do exército.

A expansão territorial iniciada por Felipe II foi continuada por seu filho Alexandre o Grande que conquistou grande parte do Oriente, unindo-o ao Ocidente, criando um mundo de fala helenista, facilitando as comunicações, entrelaçando culturas e dinamizando o comércio.

Outro caso de tomada de poder e da incrível expansão territorial deu-se com o nazismo alemão.

Foi Martim Bormamm quem conduziu a ascensão de Hitler e do Terceiro Reich, de forma pérfida, por meio de esquemas de extorsão aos industriais alemães. Foi também dele a ideia de cobrar royalties sobre a imagem de Hitler nos selos postais, conseguindo carrear muitos recursos ao partido. Incentivou a “solução final” – o extermínio dos judeus cujos bens, que não eram poucos, foram expropriados. Hitler teve com esses roubos um grande aporte de dinheiro graças à ajuda dos bancos suíços, não por ideologia dos banqueiros, mas pelos lucros.

A extorsão é um polvo de muita idade e de muitos tentáculos. Leiam (cito apenas uma parte) esse discurso do General Smeddey Darlington Butler: “A guerra é apenas uma extorsão. Uma extorsão é mais bem descrita, creio, como algo que não é o que parece ser para a maioria das pessoas. Somente um pequeno grupo que está por dentro sabe o que ignifica. Ela é conduzida para benefício de muito poucos à custa da maioria.

Eu acredito numa adequada defesa da costa e mais nada. Se uma nação vem até aqui para lutar, então lutaremos. O problema com os EUA é que o dólar só rende 6% aqui, então se fica inquieto e vai-se ao exterior a fim de conseguir 100%. Em seguida a bandeira segue o dólar e os soldados seguem a bandeira.

Eu não iria à guerra de novo, como fui para proteger algum investimento nojento dos banqueiros. Existem duas coisas pelas quais nós devemos lutar. Uma é a defesa de nossos lares e a outra a Declaração de Direitos. Guerra por qualquer outra razão é simplesmente uma extorsão.

Não existe uma trapaça no saco de extorsões para a qual a gangue militar esteja cega. Ela tem seus ‘homens dedo’ para apontar o inimigo, seus ‘homens músculos’ para destruir inimigos, seus ‘homens-cérebro’ para ajudar o preparativo da guerra e um ‘grande chefe- supernacionalista- capitalista’ (…) Durante anos participei de uma expansão de extorsão. Olhando para trás, sinto que poderia ter dado a AL Capone umas poucas sugestões. O melhor que ele pode fazer foi operar suas extorsões em três distritos. Eu operei em três continentes” (Transcrito de um discurso do general em 1933).

Estamos às vésperas de eleições. Na eleição do Collor foi desvendado o Esquema PC Farias responsável por enormes desvios, até ser denunciado pelo irmão do presidente, Pedro Collor. As investigações descobriram que os envolvidos arrecadaram cerca de 15 milhões de reais de empresários e movimentaram mais de um bilhão de reais dos cofres públicos. O ‘homem cérebro’ foi assassinado (queima de arquivo) e o ‘grande chefe’ foi casado.

Os eleitores precisam tirar suas conclusões desses episódios. Se Collor, em tão curto prazo, movimentou tanto e extorquiu outro tanto, os envolvidos com o mensalão quanto devem ter surrupiado em prejuízo de todos os cidadãos que pagam seus impostos? Quantas obras poderiam ser feitas no setor da saúde, educação e segurança?

Os capitalistas que financiaram grande parte dessa farra teriam ajudado a induzir a FIFA a escolher o Brasil que estava em nítida desvantagem ante os demais pleiteantes? Só as indefensáveis arenas, com seus orçamentos bilionários pagarão com juros de mais de 100% o investimento não prioritário e, em vários casos, inútil para o país.

Precisam acompanhar também outras obras bilionárias como a transposição do São Francisco, agora emperrada e que já consumiu mais do que se esperava. E as hidroelétricas que tantas contestações provocam.

Após o término desse histórico julgamento, todo cidadão deve assinar uma petição exigindo o ressarcimento de todos os desvios e a punição de todos os corruptores, pois sem eles não haveria corrompidos.

Torçamos para que não haja ouro suficiente para deixa-los impunes e que suas condenações consigam servir de exemplo e demonstrar que nem todos que se vendem.

jfagao@gmail.com

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