Credibilidade / José Faganello

CREDIBILIDADE

José Faganello

“Aquele que está disposto a crer numa coisa, convencemos com os argumentos mais frágeis”.

(Gregorio Marañón)

Estamos ainda em plena campanha eleitoral. No momento, o segundo turno tira o sono dos dois competidores ao cargo de presidente e, em alguns estados, também ao posto de governador.

Engajamento político é indispensável para exercer nosso dever de cidadão, poisnossas vidas estarão à mercê daqueles que elegemos.

Diante disso é importante decidir-se por um partido, deixando de lado o emocional e procurando se alicerçar no racional. Quando um grupo, no poder, perde a decência e envereda por inúmeros escândalos cabe ao eleitor expurgá-lo através do voto.

É difícil agir dessa forma, pois os marqueteiros, usando dos meios de comunicação, principalmente da TV, têm uma grande força de convencimento.

Não se pode esquecer que sem uma educação que proporcione base sólida para entender o que é o Brasil, seu contexto social e histórico, o que acontecerá se errarmos nosso voto. Teremos quatro anos de desgostos. A porcentagem dos que tiveram o privilégio de tal educação e que terão, por isso, uma idéia de distinguir os maus políticos, é pequena.

Nesse mundo em mudança em que nos movemos do antigo para o novo, todos, letrados e iletrados sofrem com as turbulências da atual entre eras (períodos históricos). O grande perigo é deixar-se levar por tendências errôneas, pois as tendências são como os cavalos, mais fáceis de levar na direção em que já caminham. O marketing cria tendências.

Precisamos estar atentos para que nossos pensamentos, atitudes, e, nossas decisões não consigam alcançar a realidade das coisas. Agindo sob suposições, refutando fatos comprovados, por pura paixão, que nos impedem de fazer uma analise mais apurada, que nos permita mudarmos de idéia, estaremos fadados a comprometer nosso futuro.

Cada vez mais a fonte do poder deixa de ser o dinheiro nas mãos de poucos, mas a informação nas mãos de muitos. Portanto investir maciçamente em educação de qualidade é fundamental, e não a demonstrada pelo aluno Welton, 11 anos, 4ª série de uma escola municipal da zona leste de São Paulo. Sua classe foi submetida à uma avaliação através de um curto ditado: “No dia 22 de abril comemoramos os quinhentos anos do nosso Brasil, que é uma terra maravilhosa”. Ele escreveu: “No dina vit do de Abina d done come kacna do no ba Basinu terã mlazsa”.

Participar da política mesmo que só votando é indispensável pois é um ato de
cidadania, do qual o aluno Welton dificilmente conseguirá um bom desempenho.

É necessário, para escolher nosso candidato, conhecê-lo; saber de sua coerência; história de vida; realizações; erros que cometeu, verificando o grau de gravidade deles, conhecer suas reais qualidades e cotejá-las com seus adversários.

Aprendi com sete anos de idade, durante a Segunda Guerra Mundial que: “Em tempo de guerra, mentira como terra”, vale também para as épocas de eleições. O marketing político nos apresentou candidatos engessados, sem espontaneidade, impondo-lhes textos sem o poder de convencimento ou capaz de nos iludir, ou seja, “em tempo de eleição, mentiras de montão”.

Foi o que vimos nas publicações de algumas agencias de pesquisa, publicando
informações com a clara intenção de induzir o leitor, pois os resultados das urna desmentiram aqueles prognósticos. O caso mais evidente foi o do candidato ao senado Aloysio Nunes, pelas pesquisas estava irremediavelmente perdido, mas foi o mais votado de todos.

A Vox Populi, do sociólogo Marcos Coimbra perdeu a credibilidade, assim como Sensus e Ibope. O Data Folha foi o que mais se aproximou da previsão de um segundo turno, os demais davam como favas contadas a vitória de Dilma já no primeiro turno.

Como aceitar os resultados das muitas pesquisas, periodicamente publicadas,
alardeando a popularidade de Lula, nos parâmetros apresentados? Não é possível que os éticos compactuem com sua acintosa atuação de fanático cabo eleitoral.

A história mostra-nos que o povo é volúvel e facilmente manipulado. Hitler, Mussolini, Stalin, Mao-Tse – Tung, além do emblemático episódio da escolha de Barrabás, tido como ladrão e assassino, para ser libertado e Cristo crucificado, são exemplos de terríveis equívocos.

jfagao@gmail.com

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