Capítulo 10/ A Transição dos Mundos -Sozinho no Mundo

Como se fosse uma novela, Arthur tem permissão para assistir às transições que aconteceram nesse período de tempo…

                Agora tudo começa a ficar um pouco mais claro, para mim. Não sei como pode haver tantas modificações, em períodos tão curtos de tempo.

                Arthur começa a pensar, divagando sobre as modificações que foram implantadas no mundo, como se ninguém pudesse ouvi-lo. Não se habituou com o fato de que todos leem os pensamentos à distância. Ainda não teve a chance de aproveitar as mudanças e por isso seu modo de pensar é antigo.

          Será que vou gostar daqui? E se não gostar? Mas, tenho uma missão, por enquanto. E depois que eles desvendarem todo o sistema que eu carrego, o que farei? Vou ter que lidar com incógnitas o tempo todo. Isso me deixa angustiado demais. Onde está meu mundo previsível, todo arrumado?

          Começo a descer pelo canal de levitação e tem alguém que me apanha e me coloca no final do túnel. Como eles estão sempre prontos? O que será que eles fazem para isso acontecer assim tão sincronizado? Descendo vou olhar de perto como é a mata ao redor desse complexo e fico encantado.

          Passeio pelos carvalhos centenárias que abarcam esse lugar e observo a extensão de floresta que rodeia todo o entorno, com uma mata densa de abetos, ciprestes, bordos e palmetos que avistei da piscina. As árvores gigantescas deixam o ar leve, cheiroso, cheio de energia, que ao entrar pelos meus pulmões, abasteceu todo meu corpo, com uma potência renovadora. Ao caminhar, vejo minha força voltar, e fico com muita vontade de continuar com esse tipo de exercício, como se precisasse de muita atividade física. Passo pelas alamedas que vi, por entre essa mata, como se fosse um caminho programado para a passagem, formados de iteas virginicas merlots, de folhas rosas e flores brancas (o computador me avisa quando pergunto em meu pensamento que plantas são).  Ele está ladeado dessa vegetação rasteira, servindo como uma cerca viva, de folhagens róseas que abrem espaço para esse corredor, com o chão de grama azul, pelo qual estou seguindo nesse momento. Mas, como tudo isso vêm à minha mente? Não conhecia essas espécies de plantas!

        Caminho por mais de uma hora e sei que posso me perder. Contudo, assim que vem esse pensamento em minha cabeça, o computador aparece na minha frente com um mapa, de toda a região com as alamedas e os pontos onde elas se cruzam e onde terminam, como se fosse um GPS natural, implantado em minha cabeça. E eu, encantado com essa liberdade, acabo cruzando com algumas pessoas que tem um jeito simples de ser, sem afetações de moda, de maneirismos ou qualquer preocupação comigo ou com a segurança, por eu ser estranho. Elas me cumprimentam sorridente. Dizendo “bom dia”, em português.

       Fico atento a esses milagres. Como todo mundo sabe falar português aqui? Será que estamos na terra do Brasil?

         E mais uma vez aparece o mapa na minha frente, como um holograma.

      Algo estranho para mim, que eu não consigo entender. O computador adverte. O mundo mudou nesses 300 anos que se passaram. Não existem mais países, como o Brasil ou Estados Unidos. Aqui estamos na Costa Leste dos Estados Unidos da sua época. Quase fronteira com o México. Mas, nada é igual àquela época. Estamos no lugar da Carolina do Sul, como vocês conheciam. O que agora é nosso continente das Américas. O nome até se conservou. Temos 4 continentes. Américas, Europa, Ásia e Polos Norte e Sul. E as pessoas já te conhecem, porque todos foram informados de sua chegada, ao nosso mundo. O computador fala comigo como se fosse uma pessoa.

             − Estou bem arranjado.

           Continuo o meu caminho e algumas pessoas aparecem para me acompanhar. Eu respondo com um aceno e elas caminham junto comigo, fazendo-me companhia.

          Elas tagarelam sobre o que aconteceu no mundo, sem a menor preocupação. E, eu acho isso o máximo, porque para elas, tudo é muito natural, como se fosse a lei das coisas.

             Contam-me que:

           As pessoas da minha época tiveram que aprender a cuidar de seus pensamentos para terem uma energia boa. Foram convencidas de que precisavam cuidar da luz que carregam. O Coaching dos anos 2020, tiveram um papel importante nisso. A partir deles aprendeu-se a fazer exercícios de construção da própria potência, com meditação e abertura de todos os Chakras. Puderam cuidar de seus sentimentos e fazer uma espécie de vibração, que desbloqueava todas as passagens energéticas, para que ela circulasse pelo corpo todo. Na época chamava Chi Kung (Tikum). 

         Chegaram ao ponto de trabalhar com os dois lados da mente. E, algumas religiões, começaram a fazer a passagem de energia de pessoa para pessoa. Depois vieram as mensagens passadas pelo pensamento. Como foi na Igreja Messiânica, uma religião japonesa da minha época que eu desconhecia. Eu, até já tinha ouvido falar do templo deles, na represa de Guarapiranga, um lugar muito bonito, por sinal.

         Alcançaram um estágio onde a sensibilidade e as conexões foram se aprimorando até chegar no que estão hoje, com o falar pelo pensamento.  

        Reconheci no caminho as casas de muitos andares que eles chamam de complexo. Com uma torre alta, transparente e um teto de plantas verdes, que culmina em alturas além das árvores.

       Elas me dizem que, nesse meio tempo, as pessoas começaram a entender que precisavam aprender a armazenar energia. E, em cada órgão do corpo, recarregavam sua reserva e conservavam tudo o que precisam.  Foi uma época interessante, porque as pessoas ensinavam umas às outras a fazerem esse tipo de exercício.  Eles me mostram pelo computador na frente deles as pessoas reunidas com impostação de mãos.

       Ao final, quando elas foram armazenadas no cérebro, cada órgão tinha um tipo de força para construir tudo o que se precisava. As pesquisas ensinaram a construção de tudo o que existia através da condição energética. E criou-se uma corrente de ensinamentos de como fazer isso.

     Foram se deslocando dos grandes centros e fazendo tudo o que precisavam para viver. Houve uma ruptura do mundo com o dinheiro. Ninguém precisava mais deles. Elas aprendiam a guardar sua energia e levitavam. Depois iam e vinham de onde queriam. Aí foram morar em lugares que ninguém habitava.

   As cidades foram se desconstruindo. Viraram pó, entulhos. Começaram a usar esse entulho pra construir terras. E tudo virou verde. Com terra e árvores, tipo parques.

        A cada fala deles eu me impunha uma ritmo mais rápido, como se precisasse correr para assimilar tudo o que houve de mudanças. E, acabo compreendendo, que não é mais possível voltar ao mundo que eu vivia. Não existe mais aquela vida. Sento-me em uma pedra diante de uma paisagem incrível. E as pessoas que me acompanharam percebem que preciso de um tempo para assimilar tudo o que se passou. Agradeço a companhia em português e, eles respondem que nos veremos em breve. Continuam na caminhada, que parece algo habitual para eles.

        Yndit então me chama materializando-se em minha frente através de um holograma.

      − Vamos dar um passeio mais à tarde e eu vou te contando todas essas modificações que houveram. Sei que você precisa de tempo pra pensar. Mas, pode fazer isso aqui, no centro de saúde e memória, confortavelmente, repondo seus principais hologramas de aprendizado.

        − Depois quando acabar a reposição de hoje vamos dar um passeio, Ok?

        − O que você quer que eu faça?

       − Que volte para o centro de recuperação da saúde.

   − Ok, estou voltando então. Mas, sinto muita necessidade de me exercitar. Meu corpo ficou muito parado e preciso dessa caminhada, corrida, ativar todos esses músculos. Vocês não tem academia? Com aparelhos de musculação?

     − Nós temos a natureza toda a nosso favor, onde aproveitamos todas as capacidades que um ser humano precisa para sobreviver. Ninguém fica parado, para ter que usar uma “academia de ginástica” do seu tempo.

      − Você me surpreende sempre, agradeço pela explicação.

      − Estou voltando. Daqui meia hora estou aí.

     Yndit pensou em trazê-lo por tele transporte, mas, lembrou-se que ele precisa do exercício e achou melhor aguardar.

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