Publicado em COTIDIANO, História, práticas sociais

Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.

http://razoesparaacreditar.com/sustentabilidade/aos-67-anos-este-homem-transformou-30-hectares-de-deserto-em-terras-cultivaveis/

terras ferteis

Ontem eu ganhei um herói, o Sr. Yacouba Sawadogo.  Não foi um desses heróis comuns, que nos encantam nas histórias em quadrinhos ou filmes de Hollywood. Algo que me cativou profundamente. Um homem hoje, com 67 anos, passou uma vida inteira plantando árvores num local deserto. E com práticas milenares, conseguiu transformar 30 hectares de terras improdutivas em terras férteis. Com uma simples adição de esterco e compostos orgânicos em valas de 20 cms, junto com as sementes.

Na época, o consideraram louco, mas, 40 anos depois, ele já floresceu mais de 3 milhões de hectares de terras desérticas em 8 países do Sahel.

Esse tipo de prática milenar, que minha sogra praticava em seus vasos e plantas, e elas eram lindas, e agora eu, que moro numa casinha popular, dessas sem forro e sem muitos recursos, com terras de saibro no quintal, tento fazer o mesmo e produzir uma pequena horta, nos meus 50 metros quadrados de terras inférteis. Ali não crescia nem um pé de limão que estava plantado quando eu cheguei à casinha. Todo dia guardo minhas cascas de legumes e compostos orgânicos, lixos da minha cozinha e coloco nesse quintal de terras tão improdutivas. O mato cortado é empilhado em um canto da parede e torna-se viveiro fértil para essas plantinhas de temperos, legumes e frutas, que eu adoro tanto. Alguns anos ainda vão se passar para que com essa prática, tudo volte a ser fértil.

Esse ano, por exemplo, já surgiu uma legião de borboletas amarelas, azuis, vermelhas no quintal. Alguns vagalumes resolveram me visitar nesse verão. E os gatos ficam alucinados atrás desses pontinhos de luz que brilham no breu da noite. Até os marimbondos resolveram lá se instalar. E quem liga pra isso hoje em dia? E pra quê ligar para isso?

O mundo moderno foi perdendo a capacidade de se ligar na terra, de cuidar de seu entorno. As pessoas perderam o encanto por produzir suas próprias plantações de temperos, verduras e legumes mesmo que num quintal pequeno ou na varanda de um apartamento.

Pra que isso? O planeta em seu aquecimento global, nem precisa de nada disso!!! As pessoas compram seus hamburgs e matam sua fome diária e não precisam mais comer nada fresco, cheio de vitaminas. E o ser humano vai se degradando. Mais câncer, mais doenças a cada dia, mais stress, mais depressão e um tanto de transtorno mentais.

É impossível as pessoas pensarem que a vida tem que ser equilibrada. Ela pede esses momentos de recolhimento, de fazer alguma coisa boa para si, para as pessoas que convivem e para o planeta. Como é difícil pensar que temos que cuidar de nosso entorno. E que a qualidade de vida de nossos filhos e netos depende de tudo o que deixamos plantados em nosso quintal, como prática de vida. Não apenas o próprio alimento e sim uma atividade que nos deixe bem, que faça o bem para os que convivemos. Que teça uma prática duradoura que sirva ao planeta.

As empresas em seus métodos de se instalarem em uma cidade, deixam um rastro de destruição em todo o ambiente, utilizando todos os recursos naturais, como se fossem inesgotáveis. Esquecem que em seu entorno vive gente, que precisa respirar, beber água, lavar suas casas, com os recursos que sobram no ambiente. E tem que conviver com um ecossistema degradado, por práticas centenárias de abandono.

Mas quando lembramos que tudo o que fazemos hoje, será o que teremos amanhã em nossa vida, eu fico feliz de estar criando, meu pomar, minha horta, meu ecossistema de bichinhos, plantinhas e pequenos insetos que fazem parte de um sistema maior de nosso planeta vivo. E as duas horas diárias de cuidados em meu quintal vai me trazer a alegria de ver meu quintal florescendo, minha vida se encantando com todas as coisas simples e lindas que eu ajudei a cultivar.

Eu fico feliz!!! Não me sobra muito tempo para as depressões e pensamentos negativos, quando vejo em meu quintal, um abacateiro crescendo, saído de uma semente de abacate plantada. Alguns mamoeiros cujas sementes floresceram só de serem jogadas na terra, as abóboras e morangas se espalhando pelo quintal e lindas batatas doces roxas, que em cada roça de quintal eu tiro umas 50.

Depressão é não se ligar em mais nada da vida, é deixar de lado esse sistema ancestral e não se conectar para fazer o bem. É perder a capacidade de se orientar pelas estrelas, é deixar o sol nascer sem uma saudação da vida, que cresce em torno de si.

Alegria de viver não se adquire. Pratica-se o todo dia o bem para ela acontecer.

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

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