Homenagem à J. G. de Araujo Jorge

J. G. De Araujo Jorge, devia ser meu patrono na academia. Ele foi o poeta com quem eu me encontrei na adolescência. Lia suas poesias, com livros retirados do Grêmio, do Colégio São José de Santos. Lá aos 13 anos até os 17 eu lia muitos e muitos livros. Tive o prazer de ter este poeta ao meu lado. Com ele eu conheci a poesia.

Outro dia, estava conversando com meu amigo Gabriel de Portugal. Ele me trouxe um poeta dos anos de 1.500. Português, de Castelo Branco, cidade perto de onde mora este poeta amigo. Fiquei curiosa e fui pesquisar se existia registro deste poeta da minha adolescência. Eu e Gabriel temos algumas divergências. Ele não gosta de minha poesia. Ela é muito romântica, muito explícita para o gosto dele. Mas sempre nos damos muito bem. Recebo as críticas, e sei que sou amadora, neste mundo de poetas, estou aprendendo o ofício de me revelar poeta..

Minha surpresa então, foi  ver os versos de J. G. de Araujo Jorge, publicadas no Youtube, e em alguns sites que descrevem sua obra. Não sabia que ele tinha esta repercussão.

Quando comecei a ler suas poesias, fiquei emocionada. As lágrimas caiam em meu rosto, pois via como ele escrevia, e via como eu escrevo hoje. Não posso dizer que é uma réplica, mas uma semelhança com suas idéias. Do seu jeito, ele declara seu amor, o que sente, e como sente. Uma das minhas grandes discussões com o Gabriel era exatamente esta. Ele não fala por metáforas. Ele fala o sentimento puro, simples, singelo e cheio de um lirismo impressionante.

Fui ver as críticas ao seu trabalho. Que engraçado!!! São as mesmas críticas que recebo. Achei isto o máximo!!!! Ele um poeta, que nasceu em 1917 e morreu em 1987. Teve trajetória política, foi deputado federal pelo Rio de Janeiro. Foi professor do Colégio Dom Pedro. Vendeu mais de um milhão de livros. Foi fundador da Academia Brasileira de letras. E não tem sua obra reconhecida. Ele de um tempo, onde este lirismo era considerado imoral, sem educação, onde até hoje percebo que assusta que desmonta tantas barreiras onde as pessoas tentam impor seu viver. E a poesia fala de sentimentos, emoções rasgadas que descortinam estas armaduras, e falam na alma dos que tentam se esconder atrás de máscaras sociais.

Eu amei rever meu mestre!!! E com ele sigo enfrente, tentando mostrar meus escritos e fazendo deles um canto de amor!!!!

Aqui vai uma das poesias dele que eu amei na minha adolescência

http://www.jgaraujo.com.br/

25 – MEUS SONETOS DE AMOR ( 1a edição – 1961 ), 3a edição,
1965. Contendo sonetos de onze livros seus e alguns inéditos. 
Trata-se, como indica o título, de uma Coletânea, e atende às
sugestões de muitos leitores, admiradores desta forma fixa da
poesia, permanentemente em atualidade. J.G. de Araujo Jorge,
que é um consagrado sonetista desde ” Meu Céu Interior”, seu
primeiro livro, reúne  neste livro mais de duas centenas de
sonetos. A 3a edição vem enriquecida com um estudo de
Joaquim Ribeiro sobre a poesia de Araujo Jorge.


DUALIDADE

Sei que é amor, meu amor… porque o desejo
o meu próprio desejo tão violento,
dir-se-ia ter pudor, Ter sentimento,
quando estás junto a mim, quando te  vejo.

É um clarim a vibrar como um harpejo,
misto de impulso e de deslumbramento.
Sei que é amor, meu amor… porque o desejo
é  desejo e ternura a um só momento.

Beijo-te a boca, as mãos, e hei de beijar-te
nessa  dupla emoção, ( violento e terno)
em que minha vida se reparte,

– e a perceber, meu estranho ardor,
que há uma luta entre o efêmero e o eterno,
entre um demônio e um anjo em todo amor!

 

Os versos que te dou

Ouve estes versos que te dou, eu

os fiz hoje que sinto o coração contente

enquanto teu amor for meu somente,

eu farei versos…e serei feliz…

E hei de fazê-los pela vida afora,

versos de sonho e de amor, e hei  depois

relembrar o passado de nós dois…

esse passado que começa agora…

Estes versos repletos de ternura são

versos meus, mas que são teus, também…

Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que

possa perturbar vossa ventura…

Quando o tempo branquear os teus cabelos

hás de um dia mais tarde, revive-los nas

lembranças que a vida não desfez…

E ao lê-los…com saudade em tua dor…

hás de rever, chorando, o nosso amor,

hás de lembrar, também, de quem os fez…

Se nesse tempo eu já tiver partido e

outros versos quiseres, teu pedido deixa

ao lado da cruz para onde eu vou…

Quando lá novamente, então tu fores,

pode colher do chão todas as flores, pois

são os versos de amor que ainda te dou.

(Poema de JG de Araújo Jorge
do livro “Meu Céu Interior” – 1934)

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Registered :: Mon Oct 11 07:37:12 UTC 2010
Title :: Homenagem à J. G. de Araujo Jorge
Category :: Blog
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