Publicado em História

Aforismos / Jose Faganello

Seja passado o passado. Tome-se outra vereda, e pronto.

(Miguel de Cervantes)

Escritor, dramaturgo e poeta Espanhol. Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em 29/9/1547, Alcalá de Henares. Faleceu em 23/4/1616, Madrid. A partir de 1569, serve como soldado em Itália. Luta contra os turcos na Batalha de Lepanto (1571), na qual perde os movimentos da mão esquerda. O sucesso chega com Don Quixote de la Mancha (1605), sua principal obra, que ironiza as novelas de cavalaria ao contar as aventuras e desventuras de Quixote, o personagem-título, e de seu desastrado escudeiro

AFORISMOS

José Faganello

 

“Sê breve em teus raciocínios que a ninguém agrada seres longo” (Cervantes)

            Antes com maior frequência, agora, com menor assiduidade, talvez, por se terem acostumados, sou inquirido porque invariavelmente uso um aforismo no início de meus textos e, sempre que acho oportuno, também no desenrolar do assunto.

            Por aforismo, segundo o Larousse, entende-se: 1 – frase de caráter sentencioso que encerra de modo conciso um pensamento ou advertência; 2 – toda forma de expressão concisa de um pensamento moral, como sentenças de origem culta, ditos notáveis, de personalidades importantes e máximas de cunho popular (adágios, ditados, provérbios).

            Nietzsche, em “Crepúsculo dos Deuses”, deixou de lado qualquer vestígio de modéstia ao entronizar o aforismo: “o aforismo, a sentença, nos quais pela primeira vez sou mestre entre os alemães, são formas da ‘eternidade´; minha ambição é dizer em dez frases o que outro qualquer diz num livro”.

            Desde os sábios chineses até nossos dias há um incontável número de aforistas consagrados como: Lao Tse, Buda, Confúcio, Epicuro, Sêneca, o imperador romano Marco Aurélio, Montaigne, Shopenhauer, Nietzsche, Mark Twain, Pope, nosso Marquês de Maricá e a profusão de anônimos que distribuíram conselhos para os acontecimentos de nosso dia a dia.

            Minha queda para os aforismos remonta à minha infância, com marcante influência de minha nona Rosa Venturini Sachi. No meio familiar ouvia muitos conselhos, atualmente em desuso, como: prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém ou mentira tem pernas curtas.

           No seminário tornei-me um colecionador de aforismos; passei a anotá-los, primeiro em tiras de papel, depois em cadernos

         Uma das minhas anotações, amarelada pelo tempo, acabou por ser adequada carapuça para mim, pois nela Nicolas Chamfort, escritor francês do século 18 escreveu: “a maioria dos colecionadores de versos e provérbios age como se estivesse comendo cerejas ou ostras, primeiro as melhores, depois todas”.

         Meu apetite por anotações foi aguçado por meu professor de português, Pe. Hilário Passero. Leitor compulsivo, marcava em todos os livros que lia trechos relevantes e encarregou-me de datilografá-los para ele. Assim aprendi a fazer com rapidez síntese do que era importante e aproveitava para tirar cópia dos fichamentos realizados.

        Melhorei na datilografia e adquiri apreciável cabedal de conhecimento. Uma das fichas, que guardei com zelo a de Joseph Joubert,  contém três períodos distintos: 1 – “aprimoro não minha frase, mas minha idéia. Demoro-me até que a gota de luz de que preciso se forme e caia da minha pena. 2 – se existe um homem atormentado pela amaldiçoada ambição de colocar um livro inteiro em uma página, uma página em uma frase, e esta frase numa palavra, eu sou ele. 3 – as máximas são para a inteligência o que as leis são para a ação: elas não iluminam, mas guiam, controlam, resgatam às cegas. Elas são a pista no labirinto, a bússola no navio da noite”.

         Aos que me perguntam o porquê das citações no início dos meus artigos, respondo-lhes que se o artigo não for bom a citação vale por ele.

         Como gostaria que meus artigos abarcassem maior número de aforismos, pois eles significam perenidade e, sem exagero eternizam-se em nossas mentes. Seria por demais prazeroso alinhavar suas máximas concisas numa harmonia sem interrupções, pausadas, com desfechos inesperados sem desafinarem do todo, mantendo a atenção do leitor e, que ao acabar de ler, note que valeu a pena, pois conseguiu ter uma percepção rápida e abrangente da mensagem, captar a idéia central e sentir que o texto transmitiu-lhe tudo o que desejava dele saber.

          Faço meu o aforismo do austríaco Ludwig Wittergenstein: “os limites da minha linguagem representam os limites do meu mundo”. Aos meus leitores o alerta do bispo Berkeley: “existir é ser percebido”.

José Faganello, escritor, professor de história de Piracicaba. Escreve para o jornal de Piracicaba aos domingos

jfagao@gmail.com

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Registered :: Wed Apr 07 07:11:13 UTC 2010
Title :: Aforismos / Jose Faganello
Category :: Blog
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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

2 comentários em “Aforismos / Jose Faganello

  1. Tive acesso ao seu artigo “Pecados capitais” escrito no jornal de 22/08/2010 e gostei muito. Como resido em Araras e não tenho como conseguir sempre esse jornal, peço, por favor, que me envie os artigos por e-mail, se for possível.
    Forte abraço.

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