Publicado em História, musica, poesias

Alegrias de Carnaval / Jose Faganello

ALEGRIAS DE CARNAVAL

José Faganello

            “Quero beber! Cantar asneiras / No estado brutal das bebedeiras / Que tudo emborca e faz em caco / Evoé Baco!”. (Manuel Bandeira)

            Thomas Newcomen foi o inventor da primeira máquina a vapor. Ela tinha um grave inconveniente; em altíssima temperatura explodia, ocasionando grandes estragos. James Watt a aperfeiçoou, com várias modificações. Uma delas, a válvula de segurança, que impedia a explosão e tornava sua energia domável e utilíssima.

            A história reporta-nos a inúmeros festejos coletivos nos quais as convenções eram deixadas de lado e, quais válvulas de escape, liberavam o excesso de pressão da libido reprimida, aliviavam o estresse acumulado pelas fatigantes labutas do dia a dia e assim minimizavam indesejáveis revoltas.

            Esses festejos afiguravam-se às massas como momentos de grande e coletiva felicidade.

            Buscar a felicidade é inato do ser humano. Alcançá-la é uma meta que quanto mais a perseguimos, mais de nós se distancia, pois sempre desejamos algo melhor, portanto, sua busca é perene.

            Há os mais variados conceitos dela. Muitos a colocam no dinheiro, outros na beleza física ou no poder, no sexo, nas aventuras, na vida campestre, nas baladas, enfim, há uma gama muito diversificada do que se entende por felicidade.

            Ser feliz sozinho é frustrante, pois necessitamos de palco, de testemunhas e de compartilhamento.

            É por esse motivo que, em todas as épocas os festejos populares existiram nas mais variadas culturas, uma vez que são gratificantes. Ao nos vermos rodeados de pessoas alegres ou que assim se fazem, entre meio de risos, abraços, congratulações, danças, desafogos, não poucas vezes atingindo o desbragamento, sentimos, mesmo que momentaneamente, a ilusão de felicidade.

            Como tudo tem seu verso e reverso, muitas vezes o reverso nestes festejos costuma ser amargo: bebedeiras, homéricas ressacas, brigas, desastres, perda da saúde, de dinheiro, da pessoa amada, da dignidade, ou seja, no lugar da felicidade teremos um mal indesejável.

            Estamos em pleno Carnaval, período de grande efusão popular. São muitos os que trabalham o ano todo para guardar, mês a mês, o dinheiro de sua fantasia e para se esbaldar na folia.

            Nosso Carnaval tornou-se uma festa de atração internacional.

            Desejo aos meus leitores, amantes da folia, que usufruam das alegrias que ele proporciona sem sofrerem depois o reverso. Para tanto é preciso saber dosar a efusão.

            Para mim, esse Carnaval está proporcionando uma inesperada e salvadora alegria, após fulminante e doloroso sofrimento.

            Fui atacado por lancinantes dores lombares, de início até suportáveis, mas que foram se agravando até não mais conseguir ficar de pé ou sentado.

            Após uma série de exames da bacia, coluna e abdômen, não se descobria a origem do mal. Os vários ortopedistas pelos quais passei, unânimes, afirmaram: os problemas de sua coluna não são responsáveis por essas dores. Aturdidos e, talvez até descrentes da real intensidade do meu sofrimento, apenas receitavam injeções contra a dor.

            Foi necessária uma febre alta acompanhada de alucinação, para que, após ser enviado de ambulância para o hospital, fosse tomada uma providência. Graças ao Dr. Rodrigo Chorilli Firmiano, que deduziu, pela febre que me atacou, ser necessário um acurado exame. Então, através do Dr. Antonio Tadeu dos Santos, fui transferido para o Hospital dos Fornecedores de Cana. A excelente equipe médica colocada para me acompanhar: Dr. Eloir Biz, Hamilton Antonio Bonilha, Juliano Borges Barra e Dra. Liliana Patroni, detectaram um abscesso em meu fígado, provocado por infecção bacteriana. Uma punção, feita com maestria pelo Dr. Ângelo Chaves dos Santos, eliminou o foco, afastou a falsa dor de coluna e deu-me a alegria desse Carnaval de 2010, embora não possa fazer minhas libações a Baco.

            Espero que ao ler este artigo a Inês Castilho, sogra de minha filha Marina, perceba que a notícia dada pelo Orlando Pressuto, acompanhado do Omir José Lourenço, colegas de clube, de que eu estava na UTI, fora um engano explicável. Ao não me verem na última e imperdível Sexta Dançante do CCP, deduziram: só pode estar na UTI.

            Agradeço minha esposa companheira na dor, meu filho Alexandre que ficou ao meu lado por dois dias e meio, além de exigir para si o ônus das despesas. Fiquei comovido com meus outros filhos, Adriano, Célia e Marina, com meus enteados Allan e Jennifer sempre solícitos e preocupados comigo, além dos amigos que me visitaram Dorta, Rubens Dantas, Bússulo e Mario Vianello e os que me telefonaram: Didi Cardinali e José Morato e aos demais que não me encontraram em casa.

            Aos meus leitores um bom Carnaval, mas sem excessos, para não dobrarem o serviço de meus abnegados amigos médicos.

Jose Faganello é escritor do JP, da sesssão de opiniões, escreve aos domingos, é professor de história de Piracicaba

jfagao@gmail.com

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Copyright :: All Rights Reserved
Registered :: Mon Feb 15 07:14:40 UTC 2010
Title :: Alegrias de Carnaval / Jose Faganello
Category :: Blog
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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

Um comentário em “Alegrias de Carnaval / Jose Faganello

  1. Como sempre , dando explicações só podia ser você mesmo,querido amigo, posso chamá-lo assim não? Minha mente viaja me faz voltar no tempo. É, no carnaval tudo é passageiro mesmo, mas também tem coisas e pessoas que são passageiras em nossas vidas, não deixam nenhuma recordação, nem boas, nem ruins, em compensação tem pessoas que vem devagarinho, vão conquistando o espaço e ficam por toda vida, e lá um belo dia a gente se lembra dessas pessoas e sem saber como e porque a gente precisa ter notícias dessas pessoas, e como num passe de mágica, sem entender porque (eu sei porque) a gente entra em contacto e fica feliz porque essa pessoa especial apesar de ter ficado doente está bem. Abraços sinceros, tudo de bom.

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