Publicado em História, musica

Palavras e Dilemas / José Faganello

      “A palavra foi dada ao homem para explicar seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos de nossos pensamentos”. (Molière) 

      Pietro Trapassi, poeta e pensador italiano do século18, mais conhecido por seu pseudônimo Pietro Metastasio alertou-nos “que não adianta chamar de volta / a palavra que fugiu do peito; / não se retém a flecha, / depois que do arco saiu”.

      Essa comparação da palavra com a flecha é por demais apropriada, pois as maledicências causadas por línguas ferinas cometeram incontáveis crimes morais. A maioria das brigas é provocada por palavras impensadas cujo resultado, muitas vezes é a morte.

      Não pretendo me alongar nesse rumo, mas discorrer sobre a abrangência de vocábulos que usamos com freqüência.

      Marcar, marcas, marcador e marcação, por exemplo, são vocábulos vinculados e inseridos no contexto de nosso dia a dia.

      Por marca podemos entender: sinal que distingue alguma coisa, carimbo, etiqueta, categoria, qualidade, espécie, tipo, sinal infamante aplicado com ferro quente no condenado, insígnia, distintivo, bóia flutuante a direcionar embarcações, marca registrada de uma empresa, cujo valor, muitas vezes, supera o do acervo da empresa que simboliza. É fundamental, portanto, que seus donos a mantenham ilibada e estejam sempre atentos para que o conceito dela seja sempre mantido e, se possível, melhorada. Isso, por extensão vale para cada indivíduo, pois nosso caráter é nossa marca. É comum referir-se a outra pessoa com: é bom caráter, ou, é mau caráter.

      Devemos envidar todos os esforços para não macular nossa marca. Um cuidado primordial é o de jamais nos aliar com alguém de mau caráter. Mesmo que em desuso o: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, ao sermos vistos em má companhia acharão que se já não o somos, também, em breve ficaremos.

      Marcar, além de seu significado explícito possui uma maior abrangência: anotar, calcular, conter, fixar, estabelecer, fazer-se notar, ferir, macular, impressionar e influir.

      Marcado, que tem ou recebeu alguma marca. Estigmatizado. Uma vez que alguém, de alguma forma foi marcado, merecendo ou não, dificilmente se livra do que lhe foi imposto. É proverbial a expressão popular: “Quem tem fama, deita na cama”. Nossos atos geram conseqüências para toda vida; mesmo que se mude de comportamento, a fama anterior, boa ou má, nos perseguirá para sempre.

      Marcador pode ser a fita estreita que se insere entre as folhas de um livro para achar onde paramos na nossa leitura. Quadro ou papel onde se marcam os pontos de uma partida ou jogo. Aquele que munido de um facão assinala com talhos na casca das árvores que deverão ser abatidas. No esporte coletivo, futebol e basquete, por exemplo, o encarregado de anular o adversário.

      Marcação, além de englobar os significados já expostos, traduz ainda: estar de marcação com alguém, perseguir continuadamente.

      Somos balizados em nossa vida social por uma séria de asfixiantes marcações, mas que de certa forma servem para impedir um indesejável caos e estabelecer o fluir organizado em nosso dia a dia.

      A vida moderna exige-nos a submissão a duas cruéis escravidões: a do calendário e a do relógio.

      Provocam elas indecifráveis dilemas. Como conciliar o inato desejo de liberdade com os conselhos para se ter boa saúde: o indispensável laser, as quatro ou seis refeições leves diárias, a caminhada de 40 minutos, a leitura de jornais, revistas e livros, a TV e o sexo?

      Quem diz que consegue administrar a contento tudo isso traduz o retrato de seus reais pensamentos? Não! São irrecuperáveis papudos!

      Nesse início de ano lembro-lhes que é importante ter pensamentos e sentimentos positivos, pois, dizem, há uma lei infalível, a lei do retorno. Se pensarmos sempre positivo podemos conseguir qualquer coisa, nesse caso conciliaremos sem nenhum problema nosso tempo com as exigências da vida moderna. Não podermos, no entanto, contar para ninguém que conseguimos. Não acreditarão.

Jose Faganello e Marcia / Embu

jfagao@gmail.com

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

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