Publicado em História, musica

PSEUDO-ENIGMA/ José Faganello

“Não sei que caos é este a que se referem nossos articulistas políticos, e que, segundo eles, já se aproxima. Engano: há muito estamos nele. O… é um prodigioso produto do caos, uma rosa parda de insolência e corrupção. A verdade é que já acostumamos com isso, não dói mais, como certas doenças malignas”. (Lúcio Cardoso (1912-1968) Diário Completo, novembro de 1949). 
 

      Sófocles, autor de mais de cem obras e 24 vezes vencedor de concursos dramáticos, deixou entre elas, Édipo Rei, uma das maiores tragédias clássicas. Nela a esfinge, ser fantástico que, a meio caminho de Tebas, propunha enigmas aos viajantes e devorava quem não os adivinhassem; mantinha o povo em pânico e a cidade sitiada, pois ninguém decifrou o enigma até Édipo chegar. Nós temos um pseudo-enigma, uma real e maior tragédia e, ao que tudo indica um falso Édipo. Analisem, ao som de nosso hino: Do Ipiranga, sepulto pelo asfalto, não se ouve a não ser o ruído do trânsito intenso a passar, engarrafado em suas ex-margens nada plácidas. O Sol, em raios opacos pela poluição, ainda brilha no céu da Pátria ameaçada pela globalização. Não é, no entanto, o Sol da liberdade, mas o da dependência econômica, o sol do dólar que nos ofusca e escraviza.

      O penhor, não em pé mais da igualdade, mas das jóias daqueles que estão caindo dos degraus da desigualdade, antes conquistados. A igualdade está sendo nivelada por baixo e, pelo andar da carruagem, não haverá braços fortes suficientes para deter os revoltados, muito menos silicone, para ampliar os seios necessários para abrigá-los.

      A morte, a cada dia banalizada, não encanta, nem amedronta mais ninguém. Nenhum peito se estufa para enfrentar a própria morte e ela vem, não como um ladrão, mas com os incontáveis ladrões e seqüestradores, quando menos se espera, a qualquer hora, em qualquer lugar e sem posterior adequada punição.

      Ainda amada, não mais idolatrada, necessita como nunca de um grito unânime, salve, salve, de salvação, não de saudação…

      O sonho é tão intenso, a ponto de poder descambar para o pesadelo. O raio vívido chamuscou o amor e a esperança. A imagem do Cruzeiro, ofuscada pela poluição, sequer foi substituída pelo fugaz resplendor do Cruzeiro de Minas.

      A natureza, sem dúvida exuberante, diversificada, rica e bela, por ser impiedosamente explorada, ameaça deixar o gigante desnutrido, embora colosso em injustiças sociais, atraso tecnológico e sem futuro a ser espelhado. De terra adorada, passou a renegada, pela revoadas de filhos em debandada para outras mil, mesmo que em longínquas paragens. Mãe nada gentil para a maioria dos filhos, embora deitada em berço esplendido, ao som do mar e a luz do sol profundo, não se peja de não lhes fornecer abrigo e pão e de ter abdicado de ser o Sol do Novo Mundo. Seus risonhos campos são umedecidos pelo suor e lágrimas dos Sem-Terras, dos trabalhadores em regime escravo, por menores sem escolas e bóias frias distantes de seus amores.

      Esta pátria amada, idolatrada, necessita de um mantra coletivo, um contínuo orar de todos: salve, salve, salve, salve…, pois, até o presidente já a colocou nas mãos de Deus.

      O lábaro estrelado ainda é ostentado em algumas competições esportivas, também elas ameaçadas pela desorganização, mercenarismo e corrupção.

      A paz no futuro é uma suposição nada provável diante da atual guerra civil mal iniciada e o passado não pode ser qualificado como glorioso, em nenhum momento.

      A justiça claudicante necessita da clava forte como apoio, para não despencar no descrédito, já iniciado. Os filhos, de fato, não fogem à luta diária para ganhar o pão de cada dia; grande número, contudo, sequer isso consegue, ante o brutal desemprego. Apenas não temem a própria morte aqueles que desejam abreviar suas estadias nesse vale de lágrimas.

      Seus filhos, os filhos deste solo e mesmo os adventícios sentem seus corações despedaçados ante o que está acontecendo Não vislumbram mais o possível despontar do “País do Futuro”; lamentam o passado e sofrem o presente. Salvem-na! Salvem-na, pois a ela nossas almas estão acorrentadas! 

Hino Nacional Brasileiro

Composição: Francisco Manuel da Silva / Joaquim Osório Duque Estrada

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
– Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Publicado em 23/05/2004 no Jornal de Piracicaba

www.jornaldepiracicaba.com.br

José Faganello, é educador, professor de história, escritor do Jornal de Piracicaba, aos domingos na sessão Opinião.

jfagao@gmail.com

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

2 comentários em “PSEUDO-ENIGMA/ José Faganello

  1. Chico, e dizer que escrevi esse artigo há seis anos atrás. Aliás, há artigos meus falando de corrupção e desgovernos muito mais antigos. Os fatos narrados ou criticados continuam, não só atualizados, como aperfeiçoados e tão impunes como aqueles.E nosso Supremo, será que chegou à conclusão que não pode deixar que os outros dois poderes o superem, no que quer que seja? Como explicar suas últimas peripécias? Superam ou empatam com as do executivo e legislativo? Um abraço.

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