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Nadar/ José Faganello

NADAR

José Faganello 

      “O homem que descobre uma nova verdade científica precisou, anteriormente, despedaçar em átomos tudo o que aprendera, e chega a nova verdade com as mãos sujas de sangue do massacre de mil superficialidades”. (Jorge Ortega y Gasset – A Rebelião das Massas) 

      Entre as incontáveis teorias existentes como Taoísmo, Confucionismo, Teoria do Caos, do Big Bang, Sionismo, Cristianismo, Socialismo, Quântica, Educacionais, Expressionismo, Evolucionismo, etc., etc., vivemos em um oceano de dúvidas, sem jamais saber o acerto das teorias que em voga. Nadamos sem balizamentos, inseguros de nossa localização, sempre obrigados a dar vigorosas braçadas para não ficarmos presos no erro.

      Segundo os existencialistas, vivemos em um universo absurdo, sem finalidade ou sentido intrínseco, temos liberdade ilimitada de escolha e devemos assumir responsabilidade absoluta pelos nossos atos. Reforçam eles: a pessoa é obrigada a descobrir o sentido em sua própria existência e não através de doutrinas impostas externamente.

      Segundo Sartre, nossa natureza essencial se desenvolve pelas opções que escolhemos na vida. Essas escolhas, invariavelmente, geram ansiedades. Ficar com a tarefa de exercer completa liberdade de decisões nos enche de medo. Alguns se tomam de coragem e enveredam por um viver autêntico, enquanto outros se desesperam e buscam os mais variados tipos de muletas, pois não conseguem encarar sozinhos, o absurdo da existência em si.

      Albert Camus em seu livro O Mito de Sísifo, foi quem expôs de forma genial seu modo de ver existencialista.

      Sísifo é a figura mitológica do homem condenado a empurrar eternamente uma pesada pedra até o alto da montanha, mas ao chegar lá  ela rola ladeira abaixo e ele é obrigado a recomeçar sempre essa inútil tarefa.

      Todo esforço humano, afirma Camus, caracteriza-se por esse absurdo: o tempo corrói nossas realizações, a morte interrompe nossos planos. Apenas a opção de ficar empurrando a pedra ladeira acima é que justifica o nada final de nossa existência.

      Diante desse quadro delineado com conceitos tão convincentes, resta-nos a escolha de um viver autêntico procurando desenvolver nossas potencialidades, usufruir com coragem nossos momentos, partilhar com outros, pois o egoísmo e a solidão levam-nos a aridez, caso contrário resta-nos deixar o medo nos invadir, fazendo-nos mergulhar na mediocridade.

      Aqueles que conseguiram ampliar seus horizontes cognitivos são privilegiados ante os que estão imersos em mares de ignorância, mas, ao mesmo tempo, são os mais afetados pelas transformações ocorridas na sociedade, nas artes, nas ciências e, principalmente, pelo ritmo alucinante dessas mudanças.

      Como assimilar sem traumas, que numa só geração, nosso conhecimento da natureza tenha podido integrar, refundir e ultrapassar todos os saberes até então acumulados?

      Como manter a serenidade ante a dissolução da autoridade espiritual e temporal da sociedade?

      Embora saibamos que nossa cultura, por maior que seja é uma gota ante o oceano daquilo que desconhecemos. Jamais poderíamos imaginar que a diversidade, a complexidade, a riqueza do universo que hoje nos invade fosse ameaçar com tamanha contundência a ordem tradicional de nossa sociedade.

      Estamos vivendo em um mundo que ameaça nossos limites, destrói nossas crenças, traz-nos o perigo da superficialidade. Somos, praticamente, obrigados a nos agarrar ao que sabemos, aos amigos, ao nosso amor, sob pena de tudo descrer e de nada mais amar.

      Para enfrentar o oceano que é nossa vida, encapelado como está  no momento, só nos resta nadar, nadar constantemente, mesmo inseguros de nossa localização e duvidando das verdades que nos oferecem.

      Pompeu, para encorajar seus marinheiros amedrontados, que se recusavam a embarcar para a guerra, conclamou-os com sua famosa frase: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

      Sem naus nem remadores, mas cientes de que a vida é um dom precioso e de que estamos em um mundo por demais grande com uma humanidade muito variada, bombardeados a todo o momento por novas descobertas, que exigem de nós um esforço e enorme equilíbrio para termos uma travessia digna, é preciso não desistir de nadar corajosamente e sem desânimo.

Professor Faganello, é escritor do Jornal de Piracicaba aos domingos, na coluna opinião, professor de história.

jfagao@gmail.com 

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

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