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Cronicas do prof Faganello

DISPONIBILIDADE

José Faganello

 

            “São benditos aqueles que trabalham para a paz na Terra”. (Shakespeare – Henrique VI, Ato II)

 

            Disponível é estar livre, desembaraçado, pronto para aceitar um cargo, uma idéia ou uma missão.

            Para tanto, não basta estar disponível, é necessário também estar disposto, ou seja, inclinado, propenso à aceitação.

            Admitir alguma coisa, abraçando-a ou conformando-se com ela, não costuma ser atitude comum.

            A natureza é uma mestra, cujas lições não são absorvidas pela maioria dos seres humanos que, além de não se importarem com seus ensinamentos, ainda agridem-na cotidianamente.

            Alexandre Pope, grande poeta inglês e um dos principais representantes do classicismo, na literatura inglesa, extraordinário artista do verso e mordaz espírito satírico, em seu didático poema “Ensaio Sobre o Homem”, deixou-nos esses intocáveis versos: “Toda natureza é arte que ignoras, / Toda discórdia, harmonia que não entendes. / Todo bem parcial, bem universal”.

            Suas lições, embora claras, não são seguidas e, por esse motivo, multiplicam-se conflitos, tanto entre as pessoas, como entre países.

            Assim como a maioria não entende as lições dos livros, o mesmo acontece com os claros ensinamentos da natureza.

            A diversidade, por exemplo, não costuma ser bem aceita, aliás, normalmente é discriminada. Quem assim age, não percebe a espetacular formosura desse incomparável quadro colocado a nossa disposição. Todo ele é composto por miríades de pinceladas, quer na flora, na fauna, como no relevo.

            Bem notou Balzac “Quando se observa a natureza, descobrem-se nela zombarias de uma ironia superior: por exemplo, colocar os sapos ao lado das flores…”.

            Coloque sua imaginação para formar uma idéia da beleza do mar tanto na calmaria como na tempestade. Aliás, facetas pelas quais, também nossas almas navegam. E das florestas com seu conjunto arrebatador de maravilhas sem par: troncos, galhos, flores, raízes, musgos e algas, onde se houve o trinado das aves, tendo como fundo Cris-cris, zunidos, zics-zics, chios e sibilos numa sinfonia maviosa.

            Não podemos nos esquecer dos rios, que se iniciam como mimosos regatos a murmurejarem nas alturas, muitas vezes brotando de uma árida montanha, para, em seu caminhar ir sendo engrossados por inúmeros outros, até tornarem-se avalanche líquida, que em desabalada carreira ruma em direção à foz, hora empinando-se em rápidas corredeiras, ora alagando planícies, ora estertorando-se em convulsivos redemoinhos, muitas vezes levando com fúria amedrontadora os destroços de sua luta perene: pedras, raízes, toras, por entre estrondos de espumejantes cachoeiras, sempre avante em busca do mar.

            Após si, no entanto, semeiam cidades fertilizam campos, espalham vida, beleza e alegria.

            Além destas belezas há outras incontáveis e todas nos dão a principal lição – É a diversidade que compõem o mais belo quadro.

            Para aceitá-la, contudo, é necessário estar disposto. Sem colocarmo-nos no estado de disponibilidade, jamais conseguiremos o indispensável entendimento. Santa Tereza de Jesus, em: “Advertência às suas Monjas”, deixou-nos um pensamento adequado a este artigo, no qual a natureza é posta como uma sábia mestra: “A Terra que não é lavrada se cobrirá de abrolhos e espinhos, ainda que seja fértil; assim também o entendimento da gente”.

            Esse pensamento vem a calhar neste momento repleto de conflitos mundo afora e, para infelicidade de todos, justamente em nossa casa de leis, que deveria ser o exemplo de moderação e que cujos ocupantes se esmerassem em serem cordatos e procurassem a virtude da disponibilidade, ou seja, disposição para ouvir os opositores, negociarem com eles e corrigirem o que está errado, tanto de uma parte como da outra.

            Cabe a nós eleitores pressioná-los para que assim ajam, pois, nunca e em lugar algum a palavra partido se adequou tão bem como em nossas Casas das Leis, Câmara e Senado. Os partidos, de fato, separam nossos representantes, como inimigos inconciliáveis, apenas os unem quando se trata de aumentar privilégios e saquear o erário.

jfagao@gmail.com

prof. de história

escreve para o jornal de Piracicaba

aos domingos no cadernos opinião

www.jpjornal.com.br

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

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