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Amores e Paixões

José Faganello

 

 

“Quero apenas cinco coisas/ Primeiro é o amor sem fim / A segunda é ver o outono / A terceira é o grave inverno / Em quarto lugar o verão / A quinta coisa são teus olhos / não quero dormir sem teus olhos / não quero ser… sem que me olhes. / Abro mão da primavera para que continues me olhando” (Pablo Neruda)

 

            Sexta-feira foi o dia dos namorados. Ele é dedicado ao amor e a paixão. O amor clareia, conforta, dá sentido ao nosso viver, enquanto a paixão cega impede-nos de perceber a que exageros ela nos impele. O apaixonado se perde no outro, mergulha num sonho que o tira da realidade e na maioria das vezes faz com que os amantes mais sofram do que usufruam do amor.

            É incontável o número de enamorados que encontraram a desgraça em seus insanos amores. Marco Antonio e Cleópatra, histórico e clássico romance culminado com a morte dos dois; Romeu e Julieta, conto que teve como cenário a cidade de Verona, na Itália. Duas famílias poderosas, Montechio e Capuleto, inimigas mortais, viviam em constantes conflitos. Romeu, da família Montechio, para se esquecer do amor não correspondido à jovem Rosalina, foi a um baile de máscaras dos Capuletos, lá se apaixonou por Julieta. Esse amor também terminou em tragédia, Romeu morreu envenenado e Julieta apunhalou-se com a adaga dele.

            Tristão e Isolda foram protagonistas de outro trágico desenrolar amoroso, durante a Idade Média. A história de Tristão foi marcada por tragédias, desde a morte de sua mãe quando ele nasceu e de seu pai numa batalha, quando perdeu o reino de Lionesse. Foi criado por um cavalheiro, como se fosse seu filho. Quando criança, por acidente, matou um colega numa briga. Enviado a Bretanha para ser educado, foi aprisionado por piratas mulçumanos, mas conseguiu fugir. Ao tomar um filtro de amor preparado pela criada, para a noite de núpcias de sua ama Isolda, com Marco, rei da Cornualha, foi tomado por irresistível paixão por Isolda e tornou-se amante dela. Descoberto seu amor teve de fugir, mas amargurado morreu e Isolda veio para morrer ao seu lado.

            Essas histórias são do conhecimento geral e todas foram vertidas em filmes, peças de teatro e livros. Há inúmeras outras, cujos desfechos são igualmente trágicos.

            Podemos dizer que a paixão, na maioria das vezes, nos põe a perder, porém, igualmente, essas historietas mostram-nos que o amor tudo vence, menos a morte, aliás, inevitável.

            Esses amantes que tiveram um fim trágico se pudessem viver duas vezes, saberiam como dosar sua paixão ou fugir dos perigos que os eliminaram?

            O amor verdadeiro não muda com o dia e a hora, mesmo quando o tempo entorta nossos lábios e enruga nossa face; ele persevera até a morte e, com certeza, aquele que perdeu seu amor pela fatalidade, que a todos atinge, se tiver a grande sorte de encontrar um novo e verdadeiro amor é um predestinado.

            Devemos saber, no entanto, de que nenhum amor nos proporciona um tranqüilo curso e nos livrará de muitas atribulações.

            Privilegiado quem descobre que o amor que se procura é bom, mas aquele que recebeu, sem busca, é melhor. Sinto-me assim, ainda mais porque minha amada tem maravilhosos olhos azuis, sempre a me fitarem.

            Felizes serão aqueles que não são contemplados com um amor medíocre e vulgar, apenas ocupado no deleite dos sentidos e nele colocam o maior valor. Um amor ideal, sublime diria, alimenta-se em extasiar-se diante da pessoa que ama e ter para com ela um pensamento constante, fazendo-a a razão primeira de sua vida, não admitindo passado nem futuro. Esse amor, por incrível que possa parecer, permite-nos o privilégio de nos magoarmos reciprocamente e a propósito de nada, mas, nem por isso ser diminuído.

            Assim como o bom vinho pode tornar-se vinagre e as plantas de nossos jardins secam se na forem regadas, assim acontece-se com o amor, ele exige cuidados constantes.

            Ele sempre foi cantado em prosa e verso e, aos enamorados, encerro com essa perfeita síntese do imortal Luis Vaz de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver; / é ferida que dói e não se sente;/ é contentamento descontente;/ é dor que desatina até doer;// é um não querer mais que bem querer;/ é um solitário andar por entre a gente;/ é nunca contentar-se de contente;/ é um cuidar que se ganha em se perder;”…

 

jfagao@gmail.com

prof. de história

escreve para o jornal de Piracicaba

aos domingos no cadernos opinião

www.jpjornal.com.br

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

Um comentário em “amores e paixões/faganello

  1. Só hoje li esse seu artigo e outros também, depois que conversamos pela manhã, emocionante. Como é bom poder voltar ao passado ainda que por alguns momentos. Estou feliz por você, fui feliz com você.

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