Publicado em poesias

Poesias de Gabriel Duarte

Chove de mansinho na Lardosa.
Eu e tu, o meu braço por cima dos teus ombros,
A minha mão na tua face.

Blusão de lã, cabeças molhadas.
A tua perna tão colada á minha que por vezes quase caímos,
A caminho do café Picasso.
Tu, mulher jovem madura,
A que atravessou desertos
E subiu montanhas, amores,
Desamores, eu sei lá.
Quiçá apaixonada sem objecto de paixão.
Ou talvez não.
Doce melodia.
 

Longa viagem.
Tenho pressa de te amar.
A Primavera chegou este ano mais cedo.
É Fevereiro o tempo da ternura.
O vento mudou de cor.
Nasceu uma rosa no meu pensamento e de novo amanheço.
Quero dar-te um beijo.

Agora não, dizes, oferecendo os lábios.
Relembro Manuel Bandeira.
“Vou embora para Passargada,
Lá sou amigo do rei,
Lá tenho a mulher que eu quero,
Na cama que escolherei.
Vamos para a Lardosa,
Tenho lá uma casa grande com lareira.
Lá respira-se o ar puro da manhã
E desconfio que até os que estão no Além regressam.
Chove de mansinho na Lardosa,
Tão mansinho, tão mansinho,
Que quase não molha.

Gabriel Duarte

CAROLINA
 
Carolina,
O nome dos meus afectos,
Das minhas adolescencias
Outra vez chegada
 
Na relva em Woodstock
Em Portugal
No mundo da imaginação
 
Carolina,
Também o nome de minha mãe.
 
Um para o outro
Disseram então
Que dirão agora as comadres, os melros e as cegonhas?
 
Vêm as andorinhas na Primavera
E é nele que te encontro,
Chega o Verão e a paixão
E cantam os cucos nos carvalhos
Ao sol quente de Junho.
 
Quiçá além-mar
Quiçá nesta Europa
De cabelos brancos velhinha:
 
Malmequer bem me quer
Rosas vermelhas tantas.

Gabriel Duarte

 PARA TODAS AS MULHERES DO MUNDO
 
PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER DE 2008-03-08

Chove e está frio
É longa a estrada, tão longa a noite, tão longa a espera.
Tantos quilómetros ainda para Budapeste.
Que noite.
Que silêncio na cabina deste caminhão.
As luzes e os carros vão passando.

Se ela soubesse que corro pensando nela.
Ai Mulheres!
Filhas, meninas, moças, mães, avós.
Amigas, companheiras, amantes.
Somos pobres perante vós.
Até as putas de Amesterdam, que não tive,

mas vi nuas nas vitrines,

sabem amar quando
fazem adeus com as mãos no cais de partida dos barcos que percorrem os canais salgados.
Feitas de uma costela de Adão, dizem os Testamentos, tornaram-se iguais ao oferecerem a maçã.
Tão sofridas, tão escravas, ainda agora em alguns países da África ao sul do Saahra, onde lhes roubam o prazer maior logo na juventude.
Que silêncio na cabina do meu camião.

E, de novo, penso nela.

Onde estará agora?
Mulheres amigas, companheiras, amantes, obrigado pela maçã.
Passa agora o ano de 2008 da era cristã.

A escravatura acabou há muito mas só nas leis.
Sois vós que tereis de conquistar a liberdade de ser iguais.
A arma do amor é suave mas poderosa.
È longa a estrada, longa a noite e longa a espera.
No pensamento fazes-me companhia.
Lardosa, 6 de Março de 2008-03-08
Gabriel Duarte

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Autor:

Lia Helena Giannechini Nasceu na cidade de São Paulo, Brasil. Viveu sua primeira infância no Bairro de Santana, residindo em Santos em sua adolescência, onde estudou no Colégio São José, compondo as primeiras poesias, com a influência de J. G. de Araujo Jorge, nos anos 60. A formação humanista, leva a escolha da profissão de psicóloga. Mora atualmente em Piracicaba, realizando um trabalho como Coaching Social e empresarial, donde nasce a experiência para o livro atual. É autora de um livro de contos, Doido, Eu? Editora clube dos autores, 2012, sobre mendigos e andarilhos, diversos artigos sobre psicologia e o Blog www.alemdooceano.wordpress.com, com todas as poesias e artigosque escreveu. Co-autora do livro Poesias Contemporâneas da Editora Matarazzo,de junho de 2016, com duas poesias inscritas. Sua primeira incursão no mundo das poesias. https://www.skoob.com.br/poesias-contemporaneas-ii-605894ed605932.html Foi convidada por Sylvio Rey Reboledoa ministrar os cursos de introdução ao psicodrama, para lideres comunitários em Cali, Colômbia, pela Casa de Justicia de AguaBlanca, onde recebeu o título de cidadã benemérita em Ginebra, Vale delCauca, pelos serviços prestados à comunidade, que a recebeu de braços abertos em 2010. Já ministrou diversos cursos próprios, como Mitologia Pessoal e a Roda do Zodíaco, Além da Extensão da Mente: Oficina de Criatividade, Mitologia Pessoal – oficina de desenvolvimento humano. Oficina de Coordenação e Desenvolvimento de Grupos, Oficina de Criatividade. Trabalhou como consultora de treinamentos, em empresas como Gerdau e Engebrás. É autora de diversos artigos para o Jornal de Piracicaba de 1985 a 1987. Seu trabalho atual como Coaching prepara o jovem adulto para empreender e transformar seu conhecimento em um negócio próprio, além de desenvolver fases para consolidar as carreiras de jovens profissionais. Seu trabalho com escritora desenvolve projetos com equipes da comunidade. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo. Atualmente faz parte do clube caiubi de compositores, onde alguns parceiros musicam suas poesias, transformando a experiência de letrista, em um processo novo e criativo.

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