Reinações de Nina no Mundo da Imaginação

A CRIANÇA INTERIOR DO LIVRO REINAÇÕES DE NINA NO MUNDO DA IMAGINAÇÃO  DE LIA HELENA GIANNECHINI

Vou contar pra vocês o primeiro contato da minha criança interior.

Nina: Estou com medo Maiã!!! 

Maiã: Estou vendo Nina!!! Olha vamos olhar de longe como ela está só para você ver e se você entra em contato com ela, tá bom??

Nina: Tá bom!!!

Maiã: Vamos lá?? Vamos ao Castelo!

Nina: Entramos pela mata, descendo a ladeira de onde Maiã mora, vamos?  Colhendo flores silvestres; descemos assobiando, olhando os pássaros, as árvores, as flores e toda a natureza. A entrada do castelo se abre com a ponte levadiça; entramos na sala principal, Eu e Maiã, nos assustamos. Nesta sala em frente a uma janela há uma criança com o olhar perdido no horizonte!!!!

Maiã: Olá querida a Nina quer falar com você!!!

Ela olha com o olhar triste e de medo para mim!!

Nina: O que você quer de mim para ser minha amiga?

Criança: Que você não me esqueça aqui. Leva-me aonde você for!

Nina: Mas você não pode ir a todos os lugares que eu vou!

Criança: Mas eu, sozinha. sinto medo!

Nina: Medo de que?

Criança: De ficar sozinha, sem saber o que fazer, quando eu não sei fazer as coisas. Eu não posso fazer uma porção de coisas sozinha; minha mãe me bateu muito, quando eu era ainda bebê para eu não ir fazendo tudo o que eu queria aprender!

            Desde quando eu tinha um ano, que eu enfiei o pau de vassoura na privada para ver aonde a água saia, e quebrei o vaso. Eu queria ver aonde a água ia! Desde quando a gente se trancou na casa da vizinha, e o pai teve que subir de escada por fora da casa e ir ao terraço para soltar a gente, eu tenho medo. Nem tudo eu consigo sozinha.

Nina: É você era muito peralta, agora ficou triste!

Criança: Fico triste quando não tenho com quem conversar. Fico com medo quando não consigo fazer as coisas por mim!. Fico triste quando peço ajuda e as pessoas me mandam embora!

Nina: Eu posso ficar com você de vez enquando, mas não sempre. Outras partes de mim também reclamam a minha presença! Agora ela se vira para mim e olha para o Maiã.

Criança: Este é seu problema Nina nunca tem tempo para você, para mim, está sempre se dividindo, entregando o seu tempo para os outros; sobra muito pouco tempo pra você arrumar suas coisas brincar comigo, rir, cantar, relaxar.

Nina: Quando eu fico fazendo barro não é este tempo??? Você não participa junto.

Criança: Ainda bem que você não me esquece totalmente!, Não é? Mas e seu violão, e suas músicas e sua costura! E seus bordados! Seus doces! Seu riso, seu cinema. Se você não fizesse o barro provavelmente eu estaria quase morta.

Nina: Não fale assim! (repreendendo)

Criança: Mas é verdade, tudo que fica parado vai morrendo!

Nina: Você está me deixando culpada!

Criança: Mas eu só to falando com você, Lia

Nina: Você é exigente, como a sombra, eu to bem arranjada!

Criança: Enquanto você não der conta de cuidar da gente direitinho.

Nina: O que você gostaria de fazer neste momento, para perder esse medo de viver?

Criança: Dar uma volta lá fora!

Nina: Podemos sair com ela Maiã?

Maiã: Podemos sim Nina: vai fazer muito bem a ela!

Nina: Vamos lá do lado da montanha???

Criança: Nunca fui para esse lado.

Nina: E você não quer ir lá?

Criança: Não sei o que tem lá?

Nina: Uma montanha com muitos pássaros, muita vida, muitas árvores!

Criança: E o que tem pra brincar?

Nina: Vamos escorregar?

Criança: Descer de esquibunda pela montanha?

Nina: Descer de esquibunda pela montanha!

Criança: (muito interessada) Vamos sim!!!

Nina: Então vamos levar os papelões!!!

Fomos até a cozinha, pegamos varias espécies de pranchas, de um material de tecido poroso e saímos pela porta da cozinha que da para o topo da montanha com um gramado que desce até o sopé da montanha.

Criança: Hum!!! O que você vai fazer com isso!!!

Nina: Vamos escorregar!

Criança: Mas isso machuca!

Nina: Não se você tomar cuidado!

Criança: Lembra quando caí do balanço de cima do muro!

Nina: Lembro sim! Agora está na hora de você tomar cuidado quando for fazer uma coisa nova. Tomar todas as precauções,

Criança: Fico muito triste quando preciso de ajuda porque não sei fazer as coisas sozinhas e me mandam embora. A mãe nunca tinha tempo pra gente. Isso me dói muito, você também não tem tempo pra me ensinar.

Agora quem está sendo exigente é você!!! Como vou aprender a fazer isso??? Vejo um dragão querendo me comer!!! Aí Aí Ai socorro!!

Maiã: Onde está este dragão querida?

Criança: Na minha frente. Ele tem os olhos vermelhos, um lombo de lagarto, patas de dinossauro e cospe fogo.

Maiã: O dragão é seu próprio medo que cria querida! Ele é o monstro que ataca porque fazemos as coisas muito maiores do que elas são, inventamos uma realidade que não conhecemos.

Criança: Mas ele quer me pegar.

Maiã: Seja paciente e fale com ele! Diga para ele ir embora, porque vai furar os olhos dele!

Criança: Vai embora!!! Eu não gosto de você!! Não gosto do medo que você me faz!! Eu vou furar os seus olhos se você não for embora.

Maiã: Hum!!!! Você aprende depressa!

Criança:É que com vocês não tenho medo!

Maiã: E agora onde está o dragão??

Criança: Ele saiu resmungando muito e querendo brigar com você?

Maiã: Diz pra ele que eu sou bom de briga e que você está aprendendo comigo!

Criança: Ele saiu resmungando alto! Tá bom! Tá bom, xooooooo medo! Ieba!  Ieba! Ieba!!!

Ela sai correndo pelas campinas e se deixa cair no chão e rolar pela grama

Nina: Agora vamos lá querida. Vamos escorregar!!! Eu já tive emoções muito profundas com você. Vamos brincar.

Os três pegam sua prancha de pano e se colocam na posição para descer.

Nina: Dê um impulso pra frente quando eu contar até três, tá bom.

Criança: Hum hum!!!!!

Nina: Um, dois, três

Desceram os três, ladeira abaixo, escorregando. Ao final saem rindo da situação

Criança: Eu estou parecendo o Vinícius!!!  Ieba!! Quando ele desceu pelo escorregador de prancha do camping e caiu no lago ieba!!! Eu sou igual a ele. Eu sou maior do que o draga, mandei ele embora!!! Eu tenho a força, ninguém me pega; desafiando os dois.

 

Vinícius era um menininho de 3 anos de idade, filho de uma amiga de  Caroline, minha filha. Fomos a um camping que tinha um escorregador de pedra, que dava para um lago profundo. Ele resolveu que queria escorregar de lá de cima, mas tinha muito medo. Demos a bóia de braço e a redonda que se coloca na cintura. Sua mãe subiu com ele e eu fiquei em baixo no lago esperando ele descer. Seu medo era tanto, mas a excitação de fazer alguma coisa nova também que com o apoio da mãe resolveu ir em frente e se atirar escorregador abaixo. Quando chegou ao final e caiu na água levou um susto muito grande, mas suas bóias e o meu apoio o ajudaram a voltar rapidamente. Ele chorou pelo susto, mas logo se recompôs e quis ir mais uma vez. Foram tantas vezes que ele fez o mesmo, subindo e descendo naquele escorregador, vencendo o medo e conquistando uma coragem pra enfrentar seus fantasmas.

 

Nina: Ri muito com as gracinhas da criança. Ela fica muito parecida com o índio do kA Ta Se(1) que brinca com a criança, saio correndo atrás dela, junto com Maiã.

         Ele corre muito, alcança a criança e a derruba no chão, os dois rolam na grama, quando chego junto os dois abrem uma brecha no meio e ficamos olhando as nuvens.

Criança: Nuvens tragam pra mim uma companhia!! Que sempre que eu precise esteja do meu lado.

Nina: Vou ficar sempre do seu lado quando você precisar!

Criança pula encima de Nina gruda no pescoço e lhe dá muitos beijos!!!

Nina: Vamos combinar um código. Sempre que você estiver se sentindo sozinha, você me mostra sua boneca! Assim venho conversar com você.

Criança:Tá bom!! Mas você virá sempre??

Nina: Virei. Não vou te abandonar. O que você pode fazer por mim?

Criança: Posso ajudar na sua espontaneidade, a sua criatividade, a conquistar os seus sonhos, sua alegria, sua esperança.

Nina: Você me ajuda então nesta nova etapa!!!

Criança: Oba! Você não vai me deixar de fora, como a nossa mãe fez??

Nina: Não pretendo. Se eu fizer isso com você, me puxe as orelhas, tá bom?!!

Criança: Você vai continuar a tocar, a fazer esculturas?? A bordar! A rir?

Nina: Você me ajuda querida!!

Criança: Ajudo sim!

Nina: Agora você fica com o Maiã quando eu não estiver perto de você?

Criança:(olhando com um monte de admiração com os olhos brilhando) É tudo que eu queria!!!

Maiã: Você ficará na minha caverna. Quando a Nina quiser, ela vai te buscar lá!!

Nina: Obrigado Maiã.

Maiã: Faz parte, Nina, não deixe de procurá-la. Ela é uma parte muito poderosa em todos nós. Quando fica abandonada perde o sentido de vida. Ela é que traz para nós a esperança e a alegria.

Nina: É Maiã. Eu também estava muito triste. Todos estes anos lidando com as doenças, com as dificuldades financeiras, parece que eu só encontrava força, para resolver os problemas. Abandonei tudo o que eu gostava. Agora é preciso resgatar tudo. Sempre é tempo de recomeçar, não é!!

Maiã: É sim, Nina. Tudo tem o seu ciclo, mas esta criança também faz parte; e você tem que aprender a ouvi-la. Ela lhe trará o encontro com o universo. Ela já te trouxe uma vez, quando você escreveu a história do jatobá lembra?

Nina: Lembro sim. Vou procurá-la e colocar aqui neste final. Se não achar reescrevo ela!!

Maiã:  Ela é linda!!

Nina: Também acho!!

Maiã: Você está se destravando bem para escrever, continue assim!!

Nina: Obrigada, meu querido.

Maiã: Fique bem, agora!!

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