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Badalam









Quero escrever sobre a maldade humana. É um tema difícil e polêmico!!!
A primeira vez que eu li algo que me fez muito sentido, foi num livro de um autor que escreve sobre a ligação de Hitler com o misticismo. O “Despertar dos Mágicos”, 1960 por Louis Pauwels e Jacques Bergier. Mas seu resumo diz que pela experiência de Hitler no mundo, compreendemos a maldade. Ela é algo que nos pega de surpresa. Que não esperamos. Que não estamos atentos a ela. E por ser algo que não pensamos que poderia acontecer, ficamos à mercê de quem faz a maldade.
O autor descreve esta sensação de estar vulnerável às forças do mal, por uma ingenuidade, uma falta de preparação do ser humano compreendê-la.
Na época eu me identifiquei bastante com este retrato. Ela era uma das questões que mais me fazia pensar. Porque o ser humano precisa ser mau, e quando ele o faz como nos surpreende, e como percebemos esta nossa vulnerabilidade???
Pensando nisto eu compreendo que a maldade vem antes do reconhecimento da persona e de seus papéis no mundo.
Ao nascermos nosso mundo é caótico e indiferenciado. Reagimos a tudo e a todos com os mesmos comportamentos. Se nos produz dor, choramos, se nos dá satisfação, rimos e brincamos.
Aos poucos estas reações vão sendo acrescida de uma relação próxima e acolhedora. Reconhecemos a mãe e o alimento que nos sacia a fome. Reconhecemos também as dores, que nos fazem chorar ou berrar por horas.
Mas o sistema nervoso vai amadurecendo e propicia o aprendizado do reconhecimento deste binômio de relação afetiva : mãe e filho se tornam uma unidade, que se auto regula. São as primeiras reações de choro que transmite sua expressão ao mundo. Ou de sorrisos, com alegria ao reconhecer a mãe, ou seus cuidadores.
Esta relação se atualiza a cada etapa do desenvolvimento e do crescimento deste bebê.
Aos poucos surge a presença do si mesmo, compreendendo partes de próprio corpo como diferente do mundo de fora. Mas não existe um pensamento ainda, é apenas uma reação do sistema nervoso que agora começa a compreender as diferenças do mundo de dentro e do mundo de fora.
Além de experimentar uma série de reações particulares em função de como é sua relação com a mãe e seus cuidadores. Aí existe uma impressão que fica cunhada em nosso psiquismo. Cunhar é um termo utilizado por Konrad Lorenz, pai da etologia, quando temos um imprinting em nosso organismo que nos faz reagir ao mundo desde os primeiros momentos de vida. É assim com os patos que bicam para sair do ovo e encontram a mãe que os chocam e as segue por ser a primeira visão que tem no mundo.
O imprinting tem seu lugar como organizador de nosso psiquismo, e das suas reações.
Ao chegar à fase dos dois anos, já experimentamos a sensação de nosso eu funcionando no mundo. É comum a criança falar: é meu!!! Quando tomam um brinquedo de sua mão. Mas ela ainda não reconhece todo o seu Eu. É preciso trocar de papéis com tudo que a cerca, para saber pela experiência quem é o de fora, como ele reage, e quem é o de dentro, que agora começa a se construir. Nesta fase ela brinca de imitar os adultos, brinca de trocar de lugar, ou de roupa, sapato com os pais e cuidadores.
Nesta etapa aparece uma reação muito própria do ser humano. O ciúmes. Ele é o grande motor para atravessarmos a linha de nossa maturidade plena. Através dele, sentimos o mundo como um palco que está nos tirando o próprio lugar. Não conseguimos fazer o nosso palco ser nosso e depois achamos que o palco dos outros é muito melhor do que o nosso. Surgindo a inveja.
O caldeirão fervente é bem apropriado para depois desenvolvermos as reações de inveja patológica, ciúmes doentio, doenças mentais e a nosso tema deste artigo a maldade.
Temos nesta fase duas possibilidades de reação: a criatividade, nos tornando um ser especial que reage em todos os momentos com seu psiquismo natural, ou reagimos nos defendendo das dores que o ciúmes e inveja provocam. Fazendo então, uma reação a tudo o que dói, desviando sempre do caminho do sofrimento.
A maldade entra então em cena. Preciso fazer o outro se machucar, porque eu me sinto machucado, fragilizado, e não consigo enfrentar esta dor. E aí entra esta ingenuidade, esta despreparação que a maldade faz. Ela desconstróe o nosso mundo natural. Reagimos ao mundo pela nossa dor, atacando o outro como um objeto que queremos destruir. Para isto é preciso que o surpreenda e assim ele passa a ser foco de nossa atenção. Até chegar ao ponto onde sabemos seu ponto fraco, suas reações de fraqueza.
Eu estava brincando com meu neto, nestes dias. Ele queria assistir patati patata no computador. Mas pegamos outro desenho da Mônica. E ela é uma pestinha!!! Ele ficou bravo comigo e escondeu o celular, que eu levei algumas horas para achar. Como ele sabia o que me atingiria?? Ele já está me observando, e começa, a saber, meus pontos fracos.. Danado, ele!!! Ele só tem dois anos e meio!!! Mas já sabe como me atingir.!!!Sua reação de maldade, ficou bem visível para mim. Se não me der o que eu quero eu vou te atingir. Este é o recado dele!!!
No mundo todos somos maus em algum momento!!! Sabemos como atingir o outro em suas dores. Mas ao tornarmos adulto, escolhemos não usar estas artimanhas para destruir os outros. Nossa compreensão vai além disto. Mas, uma mulher enciumada de um marido que a trai, pode usar desta força para atingi-lo. Uma irmã que se sente prejudicada no seio da família, pode usar esta maldade contra irmãos. E todos nós dentro da família já sofremos estes ataques.
A maldade humana escolhe seu alvo na inconsistência de nossa Persona. Ela tem como palco o teatro da vida. E como plateia os sabores da vingança.
O antigo testamento está recheado de histórias de um Deus vingativo, que traz os fenômenos naturais como castigos ao homem por seus pecados. E assim o homem aprendeu a ver nos caprichos da natureza a vingança como aliada de suas rezas e manobras contra os inimigos.
Daí a maldade ser tão corrente, e tão disseminada em nossa sociedade. Eu tenho um conto, chamado Pedrinhas Cintilantes, que sairá em breve, numa coleção de contos chamados Doido, Eu?? Sobre mendigos e andarilhos. A organização do livro é de Lucinda Prado. Neste conto, um prédio desaba em Piracicaba, no centro da cidade, e tudo em volta vira um caos. O menino que foi comprar pão na padaria, perde a mãe e seus familiares. Um homem maldoso vendo o caos, resolve se aproveitar da situação e oferece a mão para o menino que vê o prédio desabado. E assim, começa a história, de uma tragédia, seguida de um rapto, e depois todos os abusos infantis de uma criança que perde seus familiares numa tragédia e fica sozinha no mundo…
Porque as pessoas necessitam se aproveitar das fraquezas humanas para benefício próprio???
É quando suas próprias fraquezas ainda não puderam ser compreendidas e aceitas. É preciso atacar o que percebemos mais fraco do que nós para termos a sensação de fortaleza. E nos alimentamos destas sensações de fortaleza falsa, destruindo o que vemos nos outros, como fraquezas. Além de saborearmos a vitória (passageira, é claro) mas com sinal de revanche pelo que sabemos que causamos de mal no outro. Vingança é uma força. Embora ela seja passageira, porque nos alimentamos do que é a fraqueza do outro. Nossa atenção, não são as capacidades, mas as fraquezas que reconhecemos como uma vitória.
O mundo está recheado deste tipo de relação. Shakespeare era mestre em desvendar estes tipos de relações, trazendo uma gama de personagens que até hoje buscamos compreender.
A alma humana ainda passa pela evolução de seus sistemas. E dentro deles a maldade se constitui uma força que destrói o que não podemos vencer. Nossas próprias fragilidades. Elas é que falam mais alto, quando necessitamos nos vingar.

Seu olhar
Penetra minha razão,
Destitui,
Meus sonhos
Com paixão,
E me faz sentir Nua,
Tão sua,
Linda,
Como uma flor,
Que abre seu botão
Para perfumar
Com seu olor
Inebriante
Um doce
Jardim do amor..
Seu sorriso
Suspende minha emoção
Deixa um rastro de desejo,
Misturado Com paixão
De um corpo que te quer
E que ao seu lado
Carece permanecer
Para um gozo eterno
De felicidade suprema
Açoita a vida,
E deixe sua marca
Cunhada
Em meu ser
Mulher
Só você,
Com sorriso
E olhar penetrante,
Corpo lindo e cativante
Deixa-me desvairada
Com as fantasias
Que confessam
Ao te ver tão doce,
Calmo e gentil..
A esperar por mim,
Nesta solidão
De um dia ter
O grande amor
A povoar
Meus recantos mais calados
Para sempre ao seu lado
Viver o
Êxtase desenterrado
English
His look
Penetrates my reason,
Strips, my dreams
With passion,
It makes me feel nude
So you, beautiful
Like a flower,
That opens your button to perfume
With its smell heady a sweet
Garden of love ..
His smile
Suspends my emotion
Leave a trail of desire,
Mixed with passion
In a body that you want
And that in turn needs remain
For an eternal joy
Of supreme felicity
Scourges’ life
And leave your mark printed
Women
In my life
Only you,
With your smile
And stare,
Body beautiful and captivating
Let me mad
With the fantasies
Who confess
When I see you so sweet,
Quiet and gentle ..
The wait for me,
In this solitude
To one day have
The great love
The charm
My quiet corners
Forever by your side living
The ecstasy unearthed
Lia Helena Giannechini’s Copyright:
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Copyright :: All Rights Reserved Registered :: Tue Jan 24 00:36:56 UTC 2012 Title :: Seu olhar penetra minha razão / Lia Helena Giannechini Category :: Blog Fingerprint :: f5b820573860a28dfc63a83772bcc77edc83fbaf5549b1d605ecd8af9cf3b5e2 MCN :: E21LW-TLGEK-S91F3